POLÍTICA

'Faltou gestão', admite João Doria sobre problemas na zeladoria de São Paulo

Em entrevista à Jovem Pan, prefeito reconhece erros e critica José Celso Martinez no impasse com Silvio Santos.

09/11/2017 15:02 -02 | Atualizado 09/11/2017 15:04 -02
Montagem/Divulgação/Facebook
No início do ano, Doria inaugurou programa de limpeza vestido de gari.

Depois de dez meses exaltando seu perfil para gestão, no comando da capital paulista, João Doria admitiu que teve problemas de gestão. Em entrevista para a rádio Jovem Pan nesta semana, o prefeito de São Paulo reconheceu que não foi bem na área de zeladoria urbana.

No início do ano, esse foi um dos setores de maior propaganda de Doria, que chegou a se vestir de gari em algumas ocasiões para destacar seu trabalho como zelador da cidade.

Doria disse que "a desculpa do dinheiro" não se aplica a esse caso. Ele vem acusando a gestão anterior, de Fernando Haddad (PT), de deixar um rombo para a administração atual. Em outubro, Doria afirmou que havia um déficit de R$ 7,5 bilhões no orçamento da cidade.

O prefeito foi questionado pela jornalista Vera Magalhães: "mas o que faltou então, se não foi dinheiro?". E teve de responder: "Faltou gestão. Agora mudamos o time para poder aprimorar".

A Prefeitura recolheu 6% menos toneladas de sujeira na cidade no primeiro semestre, em comparação com a gestão Haddad, de acordo com levantamento feito pela Folha de S.Paulo. A prefeitura também diminuiu a eficácia dos serviços de varrição de ruas, que teve queda de 6%.

A limpeza de pichações diminuiu de 102 áreas limpas, com Haddad no cargo, para 77 no comando de Doria. O reparo de calçadas teve redução de 36% de obras e ampliação de sarjetas teve uma queda expressiva de 55,78%, de acordo com o Estado de S.Paulo

Quem estava à frente da Secretaria das Prefeituras Regionais e do programa de zeladoria urbana era o vice-prefeito Bruno Covas. Ele foi bastante criticado pelos apresentadores da Jovem Pan.

Doria defendeu Covas, mas ponderou a necessidade de transferi-lo para a Secretaria da Casa Civil. No novo cargo, Covas vai fazer a articulação política entre Prefeitura, Câmara dos Vereadores, órgãos estaduais e federais.

O Bruno Covas é uma boa pessoa. Ele é correto, ele tem um desempenho bom e agora vai fazer aquilo que ele gosta mais e tem mais vocação, que é dentro do campo político. O setor público é um aprendizado... você vai modulando onde as pessoas podem desempenhar melhor e os que não desempenham em lugar nenhum. Esses temos que trocar de maneira bem rápida. Eu fiz isso. Foram quatro trocas de secretários.

Impasse do Teatro Oficina

Também nessa entrevista, Doria criticou a conduta do dramaturgo Zé Celso Martinez na disputa com o apresentador Silvio Santos pelo terreno do Teatro Oficina, no centro de São Paulo. O prefeito tentou mediar o impasse; Silvio é dono da área e pretende construir um conjunto de torres residenciais no local. Zé Celso quer um parque público.

Segundo Doria, Silvio Santos se propôs a dialogar e Zé Celso errou ao gravar a reunião e postar nas redes sociais.

"Essas coisas da esquerda, de achar que no grito, na pressão, na intimidação você resolve, não deu certo. E ele perdeu um conciliador, porque eu tinha a intenção de ajudar a resolver. Quem vai perder com essa história? O Zé Celso Martinez. Eu lamento", afirmou João Doria.

Silvio Santos tem autorização da Prefeitura de São Paulo, do Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico (Condephaat) e do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) para a construção das torres. Doria diz que Silvio decidiu não receber mais o diretor Zé Celso e vai fazer o que a lei o permite, ou seja, a construção dos prédios.

Candidato?

A jornalista Vera Magalhães lembrou que Doria participou do programa Canal Livre, da rede Bandeirantes nesta segunda-feira (6) e enfatizou que o programa traz um ciclo de debates com os presidenciáveis e que, portanto, poderia ser considerado pré-candidato. O prefeito negou que está concorrendo à Presidência e todas as vezes que foi questionado sobre o assunto, durante o programa, desviou do tema.

"Eu tenho até 7 de abril para tomar uma decisão. Quanto melhor for minha gestão na cidade, melhor será nossa avaliação. Neste momento sou candidato a ser prefeito da cidade de São Paulo", afirmou.

O apresentador Carioca comentou sobre o apoio do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a Doria na corrida pela Prefeitura de São Paulo. Insinuando uma traição, Carioca perguntou se o prefeito já havia tratado com Alckmin sobre a possibilidade de se candidatar à Presidência. "São 37 anos de amizade. Isso você não descarta como um pedaço de papel", respondeu Doria.

Após as últimas controvérsias que custaram a popularidade de Doria, o prefeito parou de acelerar e disse que é hora de mudar a direção:

"Eu já andei rápido demais, e agora precisamos redirecionar a velocidade para o campo da cidade. Estou em início de mandato e gosto desse mandato. Estou feliz como prefeito e tenho que continuar a prefeitar. Se amanhã as circunstâncias, não por decisão minha, apresentarem outra alternativa, vamos avaliar."

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