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'Queimem a bruxa': O protesto que pede #ForaButler e é contra a 'ideologia de gênero'

Manifestantes fazem protesto na frente do Sesc Pompeia, em São Paulo, que recebe evento com a filósofa Judith Butler nesta terça-feira (7).

07/11/2017 13:27 -02 | Atualizado 07/11/2017 16:07 -02

"Menino nasce menino #XoJudith", "Mais príncipes e princesas, menos bruxa", "Não à ideologia de gênero", "Meus filhos, minhas regras", dizem cartazes de manifestantes que protestam contra um seminário sobre democracia e política que acontece a partir desta terça-feira (7), no Sesc Pompéia, em São Paulo e conta com a presença da escritora e filósofa Judith Butler, 61.

Na manhã desta terça, um cordão policial separou, de um lado, manifestantes à favor do evento e, de outro, pessoas contrárias à "ideologia de gênero" pedindo #ForaButler. Segundo a Folha de S.Paulo, o grupo que protestava contra era composto por menos de cem pessoas e era inferior ao outro grupo.

Professora da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, Butler é, de fato, um dos principais nomes no estudo de gêneros e na teoria queer. Ela introduziu o conceito de "performatividade", que aponta o gênero como uma construção performativa, ajudando a pensar a identidade para além das diferenças biológicas, mas, sim, como uma construção cultural.

Porém, estes estudos não são os únicos campos explorado pela autora. Inclusive, não será sobre esse assunto que ela falará no Brasil.

Ela acaba de lançar seu novo livro Caminhos Divergentes - Judaicidade e crítica ao sionismo (Boitempo, 2017). E participará hoje do evento "Os fins da democracia", organizado pelo Convênio Internacional de Programas de Teoria Crítica (UC Berkeley) e Departamento de Filosofia da USP.

A movimentação contra a filósofa começou nas redes sociais, há duas semanas. A justificativa de uma petição online que pede o cancelamento da palestra é de que a escritora propõe "a desconstrução da identidade humana pela desconstrução da sexualidade" e que Butler participará de um "simpósio comunista" que "mascara um objetivo político marxista".

Pela manhã, no Twitter, o termo "Sesc Pompeia" ficou entre os mais comentados da rede social e gerou comentários positivos, negativos e até virou motivo de piada entre os usuários:

O ator Alexandre Frota também participou da manifestação:

Enquanto, do outro lado, alguns manifestantes do lado contrário organizavam um "cordão de isolamento":

Outras pessoas ficaram impressionadas com bandeiras de uma organização chamada "TFP". Sigla para Tradição, Família e Propriedade, no Brasil registrada como Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.

Ao final da manifestação, um boneco com o rosto de Butler foi queimado enquanto manifestantes pediam "queimem a bruxa".

Uma luta constante

"Quando as pessoas temem o seu futuro econômico, elas geralmente se voltam para políticas conservadoras." A frase acima é da escritora, filósofa, lésbica e professora norte-americana Judith Butler, que, aos 61 anos, é referência em estudos sobre a teoria de gênero e também sobre a violência provocada pelo Estado. Para ela, o futuro de uma sociedade plural e tolerante depende do fortalecimento da democracia. "É uma luta constante", disse em entrevista por e-mail ao HuffPost Brasil. "[A democracia] é algo pelo qual as pessoas são obrigadas a lutar o tempo todo".

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