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'Todo esforço é para unir o PSDB': Alckmin e Doria se aproximam por 2018

Prefeito de São Paulo admite que pode ser vice de governador no ano que vem.

06/11/2017 19:50 -02 | Atualizado 06/11/2017 19:50 -02
LatinContent/Getty Images
Geraldo Alckmin e João Doria disputam internamente a vaga de candidato a Presidência em 2018.

O prefeito de São Paulo, João Doria, admitiu que pode sair como vice de Geraldo Alckmin para as eleições 2018. "Hoje, tudo é possível, ainda mais com Geraldo Alckmin", disse o prefeito em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, na madrugada desta segunda-feira (6). Ele admitiu que já teve dois encontros com o governador de São Paulo para discutirem as eleições presidenciais.

Na tarde desta terça, foi a vez de Alckmin ressaltar a busca por unidade no PSDB. "Todo o esforço é para unir o PSDB", disse, descartando a intenção de presidir o partido. Ele sugeriu que tanto Tasso Jereissati (CE) quanto Marconi Perillo (GO) dividam o comando da legenda, já que ambos têm interesse no posto. "Por que os dois não participam da direção partidária?", propôs.

Apesar de Doria e Alckmin tentarem demonstrar publicamente maior coesão, nos bastidores a percepção é de muito desentendimento entre tucanos na construção da chapa presidencial de 2018.

João Doria passou a adotar um discurso mais brando em relação ao próximo ano. Diz que não é candidato nem pré-candidato, apenas prefeito de São Paulo. Junto a esse aparente recuo, ele defende uma candidatura "pacificadora e unificadora" do centro encabeçada pelo PSDB.

Nas entrelinhas, no entanto, faz questão de destacar seu desempenho nas pesquisas nacionais, o que atribui à sua gestão da cidade de São Paulo. Na última pesquisa realizada pelo Datafolha, o prefeito e o governador ficaram empatados com 5% das intenções de voto.

João Doria admite que "o PSDB precisa ter juízo". O partido escolherá sua nova liderança nacional na convenção de 9 de dezembro e busca recuperar sua imagem após os casos de corrupção envolvendo o senador Aécio Neves e a participação no governo Temer. "Se o partido não mudar, será uma clara demonstração da incapacidade de liderar esse processo de união", disse Doria.

Mirando 2018, ele embarcou em uma série de viagens nacionais e internacionais neste ano. A ação, no entanto, teve um resultado contrário ao esperado: despertou a indignação da população paulistana. "Eu entendi o recado e nós mudamos: vamos ter redução de viagens, foco em São Paulo e foco na periferia da cidade", anuncia.

Lula, Huck e Bolsonaro

Para o prefeito de São Paulo, o ex-presidente Lula não tem condições de se candidatar. "Ele é um ladrão condenado, tem nove processos e uma condenação a nove anos de prisão." Mas acha que, mesmo que seja impedido, o ex-presidente dará seguimento à sua ambição por meio de candidaturas falsas, como a do ex-governador baiano Jaques Wagner e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Ambos são cotados nos bastidores como possíveis sucessores de Lula.

Apesar de reconhecer a força do adversário, Doria se sente em vantagem sobre ele. "Lula me teme. Sabe que eu não tenho Lava Jato, Odebrecht, pedalinhos nem tríplex no Guarujá." Por isso, ele exaltou a Lava Jato como uma "dádiva para o País" e o juiz Sergio Moro como "herói do Brasil".

O prefeito assume, porém, um discurso político muito próximo ao adotado por Lula. Coloca a população pobre como principal prioridade da campanha política de 2018, focando em programas de saúde e educação que atendam as demandas das classes mais baixas.

João Doria se beneficiou, na eleição municipal de 2016, de um discurso que o colocava como não político, aproveitando-se de uma rejeição generalizada à classe política pela população brasileira. Agora, prestes a completar um ano de gestão, o prefeito passa a ser parte dessa classe. O apresentador Luciano Huck passa a ocupar este lugar que já foi de Doria: um homem público, sem passado político e alinhado aos interesses do mercado.

Para o prefeito, porém, Huck não pode ser candidato sem um suporte partidário. "Eu não era tão outsider assim. Sou filiado ao PSDB desde 2011 e minha candidatura teve apoio de 13 partidos." Para ele, quem mais pode se beneficiar dessa aversão á política é o deputado Jair Bolsonaro, que assume um discurso extremista na visão dele.

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