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Autor dos atropelamentos em NY escolheu Halloween para matar mais pessoas

O uzbeque Sayfullo Saipov foi formalmente acusado de "terrorismo" pela Procuradoria dos Estados Unidos.

02/11/2017 10:22 -02 | Atualizado 02/11/2017 10:23 -02
Brendan McDermid / Reuters
O plano de Saipov era colocar a bandeira do EI no veículo, mas ele acabou mudando de ideia para não "chamar atenção".

O uzbeque Sayfullo Saipov, autor do ataque que matou oito pessoas em uma ciclovia de Nova York na última terça-feira (31), foi formalmente acusado de "terrorismo" pela Procuradoria dos Estados Unidos.

A denúncia foi apresentada após Saipov, que está internado em um hospital por causa dos ferimentos causados pelos tiros da Polícia, ter sido interrogado e confirmado que se inspirara no Estado Islâmico (EI) para atropelar pessoas com uma camionete em Nova York.

Segundo as autoridades norte-americanas, o uzbeque assistiu a mais de 90 vídeos do grupo terrorista em seu celular, incluindo um com o "califa" da milícia, Abu Bakr al Baghdadi. O plano de Saipov era colocar a bandeira do EI no veículo, mas ele acabou mudando de ideia para não "chamar atenção".

O atentado foi planejado por mais de um ano, e policiais encontraram na camionete um bilhete com a frase "O Estado Islâmico durará para sempre", além de várias facas. No entanto, acredita-se que Saipov tenha agido sozinho, sem a coordenação do EI.

O uzbeque também contou que escolhera a data de 31 de outubro para realizar a ação por causa do Halloween, quando, em sua visão, haveria mais gente nas ruas. O agressor ainda fez um "teste" para o ataque em 22 de outubro, quando alugou um furgão para "praticar".

A postura de Saipov de colaborar com as investigações e responder aos questionamentos da Polícia contraria o comportamento geralmente adotado por "lobos solitários" inspirados pela ideologia jihadista.

Em ataques desse tipo, raramente o agressor escapa com vida, já que seu objetivo é matar o maior número de pessoas até ser abatido pelas forças de segurança. Quando sobrevivem, como no caso de Salah Abdeslam, acusado de envolvimento nos atentados de 13 de novembro de 2015, em Paris, eles costumam ficar em silêncio.

O FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, busca um segundo homem para ser interrogado, o também uzbeque Mukhammadzoir Kadirov, mas ainda não se sabe qual seria sua ligação com Saipov e com o atropelamento em Nova York.

O atentado ocorreu por volta de 15h de terça-feira, quando o terrorista atropelou diversas pessoas com uma camionete alugada em West Street, em Manhattan. O agressor só parou o veículo após se chocar contra um ônibus escolar.

Das oito vítimas do ataque, cinco eram da Argentina, duas, dos Estados Unidos, e uma, da Bélgica.

O advogado que representa o uzbeque, David Patton, indicou que a noite de quarta-feira (1) o acusado já ficará em uma cela, uma vez que recebeu alta do Hospital Bellevue, onde ficou internado pouco depois de ser detido para receber atendimento pelo ferimento de bala que sofreu.

Patton declarou aos jornalistas, ao final da audiência, que confiava que a Justiça cumpriria seu papel, apesar da cobertura midiática do caso.

O advogado não pôde confirmar se seu cliente ficará recluso em um centro de detenções do distrito do Brooklyn ou no de Manhattan.

A próxima audiência do caso foi fixada inicialmente para o dia 15 de novembro, quando é possível que já sejam lidas as acusações formais que serão apresentadas pela procuradoria do distrito sul de Nova York.

(Com informações da ANSA e Agência Brasil)