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Por que George Papadopoulos e seu indiciamento pelo FBI podem ser um problema para Donald Trump

A admissão de culpa do assessor de política externa é ‘significativa’.

31/10/2017 17:46 -02 | Atualizado 31/10/2017 17:49 -02
George Papadopoulos é o terceiro assessor da campanha de Trump a enfrentar acusações criminais na investigação do FBI.

Um assessor de política externa da campanha presidencial de Donald Trump admitiu ter mentido para agentes do FBI sobre uma oferta de "lama" contra a adversária de Trump, Hillary Clinton.

George Papadopoulos, 30, admitiu sua culpa em 5 de outubro, mas o caso só deixou de ser protegido por confidencialidade na segunda-feira, segundo uma declaração do investigador especial Robert Mueller.

Papadopoulos é o terceiro assessor da campanha de Trump a enfrentar acusações criminais na investigação do FBI. Paul Manafort, ex-diretor da campanha de Trump, e seu parceiro Rick Gates se entregaram na segunda.

Papadopoulos fez um acordo com a promotoria e desde então vem colaborando com a investigação de Mueller sobre a suposta interferência dos russos na eleição de novembro do ano passado.

A declaração dos procuradores afirma que milhares de emails com "lama" contra Clinton em abril de 2016 – meses antes do ataque de hackers contra a direção do Partido Democrata.

(Pontos significativas do terceiro indiciamento, contra George Papadopoulos – assessor de política externa da campanha de Trump.)

No Twitter, Trump disse que os indiciamentos de Manafort e Gates sugerem que não houve "colusão" com a Rússia.

(Sinto muito, mas isso foi anos atrás, antes de Paul Manafort ser parte da campanha Trump. Mas porque o foco não é na Desonesta Hillary e nos Democratas?????)

(... e NÃO HÁ COLUSÃO!)

Mas ele não mencionou a admissão de culpa de Papadopoulos, que os comentaristas qualificaram de "significativa".

O ex-procurador federal Preet Bahara, demitido por Trump este ano, tuitou: "O investigador especial Mueller já tem uma condenação. E essa admissão de culpa pressagia mais indiciamentos".

(O investigador especial Mueller parece ter uma testemunha disposta a colaborar, George Papadopoulos. Isso é significativo. O tempo dirá quão significativo.)

(O investigador especial Mueller já tem uma condenação. E essa admissão de culpa pressagia mais indiciamentos.)

Rebecca Roiphe, professora da Escola de Direito da Universidade de Nova York e ex-procuradora assistente, diz que a publicação online do acordo de Papadopoulos é uma mensagem.

"Você sabe que ele está cooperando", disse ela ao jornal Daily News. "Minha única especulação é que eles estão tentando convencer as pessoas a colaborar. Estão dizendo publicamente: 'Temos mais informações que vocês imaginam'".

(O acordo de George Papadopoulos. Muito significativo.)

De acordo com a declaração, Papadopoulos "deu declarações materiais falsas e cometeu omissões materiais" em depoimento ao FBI no dia 27 de janeiro. Ele foi preso em 27 de julho.

Segundo o acordo, os procuradores vão recomendar até seis meses de prisão para Papadopoulos.

O que ele fez?

Papadopoulos estava morando em Londres quando entrou para a campanha de Trump, segundo a declaração.

Papadopoulos disse ao FBI que um professor baseado em Londres "comentou sobre 'lama' que os russos teriam a respeito da então candidata Hillary Clinton, na forma de 'milhares de emails', mas afirmou diversas vezes que soube da informação antes de entrar para a campanha", segundo documentos legais.

De fato, Papadopoulos foi contatado depois de saber que entraria para a campanha, e o professor só mencionou os "milhares de emails" mais de um mês depois da entrada de Papadopoulos na campanha de Trump.

O professor, diz a declaração, tinha "conexões substanciais com autoridades do governo russo", apesar de Papadopoulos afirmar que o professor era "um nada".

Papadopoulos enviou em junho de 2016 a "um alto integrante da campanha" um email com o título "Mensagem nova da Rússia", no qual ele afirma que o Ministério das Relações Exteriores do país quer uma reunião "off the record" com Trump ou com algum integrante da campanha, diz a declaração do procurador.

Em 15 agosto de 2016, um supervisor da campanha incentivou Papadopoulos a fazer a viagem "se fosse viável".

O que diz Trump?

Trump está tentando se distanciar da controvérsia. No passado, sua equipe teve dificuldades para caracterizar alguns indivíduos como pessoas periféricas na operação.

Embora Papadopoulos fosse um funcionário de baixo nível na campanha, ele certamente era parte da equipe. Ele participou de uma reunião entre Trump e Jeff Sessions, que viria a ser indicado ministro da Justiça.

Há até mesmo uma foto dos dois juntos em uma mesa.

Meeting with my national security team in #WashingtonDC. #Trump2016

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"Ele é um consultor de energia", disse Trump ao The Washington Post em 2016. "Um cara excelente."

Na segunda-feira à tarde, a secretária de imprensa da Casa Branca Sarah Huckabee Sanders minimizou a importância de Papadopoulos, afirmando que seu envolvimento com a campanha foi "extremamente limitado" e que ele era simplesmente um "voluntário".

Ela disse que o que quer que Papadopoulos tenha feito foi não-oficial.

O que mais sabemos?

Papadopoulos é um advogado especializado em energia e se formou em 2009 na Universidade DePaul, de Chicago, antes de mudar-se para Londres para fazer mestrado em estudos de segurança, afirma o The Washington Post.

Sua página do LinkedIn afirma que ele é consultor de políticas energéticas.

Antes disso, ele trabalhou na campanha do pré-candidato republicano Ben Carson. Ele também representou os Estados Unidos em uma reunião que emula a ONU, realizada em Genebra em 2012. Duas pessoas que estavam na delegação americana, entretanto, afirmam não se lembrar da sua presença no evento.

O Washington Post observa que Papadopoulos "não deixou muitos rastros de documentos", indicando alguns artigos que ele escreveu para meios de imprensa israelenses.

O que diz Papadopoulos?

De seus advogados: "Ansiamos contar todos os detalhes da história de George".​​​​

(A declaração dos advogados de Papadopoulos: "Ansiamos contar todos os detalhes da história de George...)

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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