MULHERES

Para além do 'Outubro Rosa': 6 coisas que TODA mulher precisa saber sobre câncer de mama

Toda mulher deveria ter intimidade e consciência do próprio corpo.

31/10/2017 20:58 -02 | Atualizado 31/10/2017 21:55 -02
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Mas o que as mulheres precisam saber, de fato, para diagnosticar a doença?

Um diagnóstico de câncer de mama pode ser devastador. "Mas as mulheres precisam saber que o diagnóstico não é uma sentença de morte", reforça a mastologista e consultora do Instituto Avon, Rita Dardes. A doença que mais mata mulheres no Brasil, segundo informações do INCA (Instituto Nacional do Câncer), quando diagnosticada precocemente, traz 95% de chances de recuperação total.

Mas o que as mulheres precisam saber, de fato, para diagnosticar a doença? O câncer é evitável? Basta fazer o autoexame? Quais são os sinais a que precisam estar atentas? Para uma conversa que vá além do Outubro Rosa, mês de conscientização da doença e de diversas ações para empoderar as mulheres, o HuffPost Brasil conversou com especialistas e aqui estão 6 coisas que TODAS precisam saber.

1. Ter consciência sobre o próprio corpo

National Cancer Institute

Se olhe. Se toque. Entre em contato com o seu corpo. Cuide dele. "A mulher deve estar ciente que mesmo que ela não esteja dentro da população de risco [mulheres entre 40 e 60 anos], precisa se informar sobre a doença", afirma Rita Dardes. Segundo a especialista, o câncer de mama não é uma doença com uma causa única. Ele é multifatorial, ou seja, é causado por uma série de fatores. Entre eles: sobrepeso, sedentarismo, consumo de álcool, maternidade após os 30 anos, exposição à ação hormonal, estar na faixa de risco entre 45 e 60 anos e o fator genético, ou seja, ter parentes de primeiro grau que já tiveram a doença.

2. Não é uma doença evitável

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Mas quanto mais cedo o diagnóstico, mais fácil a cura. Segundo o INCA, 90% das mulheres que desenvolvem câncer de mama não têm parentes próximos com o mesmo problema. Ou seja, apenas 10% do casos são hereditários. "O câncer de mama é um crescimento anômalo das células que pode se manifestar mesmo sem fator de risco. Por ser uma doença multifatorial, não é evitável", aponta a especialista.

Ela explica: "Os fatores de risco aceleram todo esse processo. Isso eu acho que é o mais importante destacar. Porque as pessoas pensam que não têm histórico na família e, então, não vai ter câncer de mama. Não existe isso", aponta. Com um diagnóstico precoce, as chances de cura chegam a 95%. Apalpar as mamas, conhecer o próprio corpo e ir regularmente ao ginecologista estão na lista de cuidados.

3. O câncer de mama não tem uma única causa

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Segundo a mastologista, existem os fatores mutáveis e imutáveis relacionados ao câncer de mama. Fatores de risco como "idade da menopausa a idade da menarca, você ter filho ou não", são imutáveis. Ou seja, não é possível modificar. E existem os fatores modificáveis como, por exemplo, o sedentarismo, a obesidade, o consumo de álcool, o uso de hormônios, são mutáveis.

O que existe são dois tipos de cuidados, que podem ser chamados de prevenção. "Como com o câncer de mama não tem um agente causador único, não tem como as mulheres saberem anteriormente. O que a gente tem é a prevenção secundária, que é um sinônimo de detecção precoce", afirma Dardes. Não é possível evitar que a doença apareça, então, a solução é detectar precocemente e o ideal é que isso aconteça em conjunto com o médico e sem que a doença tenha sido percebida pela paciente. Para isso, mamografia é essencial.

4. Os sintomas vão além do nódulo

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Por mais que o comum seja a aparição de um nódulo, existem outros sintomas a que as mulheres precisam ficar atentas. "Infelizmente 60% das pacientes sentem o próprio 'caroço' e, se elas conseguem sentir, é sinal de que ele já está perceptível ao toque", diz a especialista. "O nódulo melhor para ser descoberto é aquele que não é palpável, mas é visível na mamografia. Porque aí a chance de cura é maior. Quanto menor o tamanho do tumor, maior a sobrevida dessa mulher", completa.

Porém, sintomas como: descamação, vermelhidão, deformidade na aparência da mama, a retração do mamilo, a saída de uma secreção sanguinolenta ou até de uma secreção aquosa do bico do seio também podem ser sinais do câncer de mama. "A dor no câncer de mama é muito rara, não é impossível, mas é rara. Em geral, dor e inchaço nas mamas e laterais tem a ver com questões hormonais", afirma a médica. A especialista recomenda que o autoexame, inclusive, seja feito após o período menstrual.

5. Autoexame não previne, mamografia, sim

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"O autoexame não é uma extratégia de salvar vidas", afirma a especialista. "Como método isolado, o autoexame não previne mortalidade. Já a mamografia, o exame em que a mulher que faz o rastreamento, ela diminui as chances de mortalidade por câncer de mama em 5%. Mas eu acredito no seguinte: a mulher tem que se autoconhecer. E aí ela vai procurar ajuda", ressalta.

A mamografia, por exemplo, deve ser realizada duas vezes por ano a partir dos 50 anos, segundo recomendação do Ministério da Saúde. Para quem já teve casos de câncer mamário na família, é recomendável começar a fazer o exame mesmo antes. Existem também situações em que o ultrassom, a ressonância magnética e a tomossíntese são recomendados como complemento. Porém, o ideal é solicitar ao ginecologista ou ao mastologista a realização do exame clínico das mamas -- e procurar um especialista caso haja alguma alteração.

6. Diagnóstico não é sentença de morte

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Breast cancer ribbon made from paper with beige background.

Uma em cada 15 mulheres é afetada pelo câncer de mama, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM). Segundo os dados da SBM, no Brasil são descobertos 156 novos casos diariamente e cerca de 12 mil mulheres morrem no País em decorrência do câncer de mama por ano.

"Eu acho importantíssimo a gente falar que hoje nós temos ferramentas, estratégias de tratamento, mesmo para aquele caso que já ultrapassou o estágio inicial. Temos um arcenal terapêutico muito amplo mesmo. As mulheres precisam saber que, em 2017, ter câncer de mama não é sentença de morte. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor o tratamento e a chance de cura", afirma Dardes.

Para diminuir as chances de desenvolver a doença e ficar atenta aos sinais, a especialista afirma que:

- É preciso fazer uma visita anual ao ginecologista;

- Manter hábitos saudáveis;

- Apalpar as mamas e procurar um especialista em caso de anomalias;

- Fazer mamografia anualmente.

Então, nada de pânico: fique atenta aos sinais e mantenha a consciência sobre o próprio corpo 🤗

Famosas que sobreviveram ao câncer de mama