MUNDO

O que você precisa saber sobre Paul Manafort e Rick Gates

Citado em um indiciamento com 12 acusações, Paul Manafort exerceu papel importante na campanha de Trump. Seu sócio, Rick Gates, também foi preso.

30/10/2017 22:56 -02 | Atualizado 30/10/2017 22:58 -02
REUTERS/Carlo Allegri
Manafort se demitiu da direção da campanha de Trump em agosto de 2016, depois de começarem a vir à tona informações sobre seus antigos vínculos comerciais com o leste europeu.

Paul Manafort, o ex-diretor da campanha eleitoral do presidente Donald Trump, foi indiciado na segunda-feira por 12 acusações, incluindo conspiração contra os Estados Unidos, ligadas a seu trabalho de lobista para a Ucrânia, que veio à tona durante a investigação sobre interferência da Rússia na eleição presidencial americana de 2016.

O ex-sócio de Manafort em seu trabalho de lobista, Rick Gates, também foi citado no indiciamento. Os dois se entregaram ao FBI e vão cumprir prisão domiciliar.

"Manafort e Gates geraram dezenas de milhões de dólares de receita em consequência de seu trabalho para a Ucrânia", diz o indiciamento. "Para esconder das autoridades americanas os pagamentos recebidos da Ucrânia, entre aproximadamente 2006 e 2016, Manafort e Gates lavaram o dinheiro através de dezenas de empresas, parcerias e contas bancárias dos EUA e estrangeiras."

Manafort se demitiu da direção da campanha de Trump em agosto de 2016, depois de começarem a vir à tona informações sobre seus antigos vínculos comerciais com o leste europeu.

Lobby pró-Rússia

Várias transações comerciais ligam Manafort a interesses pró-Rússia no antigo bloco europeu oriental, segundo o indiciamento. Seu nome teria aparecido em um livro de registros contábeis secretos usado pelo Partido das Regiões, o partido do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovych.

E uma firma que ele dirigiu no passado –e que ele não registrou como agente de um país estrangeiro, conforme exigem as leis federais—teria ajudado a orquestrar um esforço de lobby pró-Rússia em nome da Ucrânia. Paul Manafort já teve seu nome ligado também ao oligarca russo Oleg Deripaska, aliado do presidente Vladimir Putin, e ao oligarca ucraniano Dmytro Firtash.

Manafort se registrou retroativamente como agente de um país estrangeiro e declarou mais de US$17 milhões recebidos pelo trabalho de consultoria realizado por sua firma na Ucrânia entre 2012 e 2014.

Ele montou empresas de fachada em Chipre para receber pagamentos. O fato de não ter pago impostos sobre essa renda lhe possibilitou viver "uma vida de luxo nos Estados Unidos", segundo o indiciamento, "gastando milhões de dólares com bens e serviços de luxo para ele mesmo e sua família, graças a transferências de dinheiro feitas por contas em paraísos fiscais para firmas nos Estados Unidos."

Aquela reunião com russos

Manafort falou com investigadores do Senado em julho sobre uma reunião da qual participou no ano passado com integrantes da família Trump e a advogada russa Natalia Veselnitskaya. Donald Trump Jr. marcou a reunião depois de ser atraído pela possibilidade de receber materiais que prejudicariam a campanha de Hillary Clinton.

Manafort passou aos investigadores suas anotações feitas na reunião, desencadeando especulações sobre se elas mencionam doações russas à campanha de Trump ou ao Partido Republicano. O FBI invadiu e revistou sua casa na manhã seguinte

O papel de Rick Gates na campanha de Trump

Rick Gates também chegou a exercer um papel chave na campanha de Trump, em dado momento. Ele assumiu o lugar de Manafort quando este se demitiu e mais tarde trabalhou para o America First Policies, um grupo de lobby pró-Trump.

Gates deixou esse grupo em abril, quando as autoridades começaram a investigar seus vínculos com Paul Manafort. Ee teria continuado a visitar a Casa Branca na companhia de seu novo chefe, Tom Barrack, membro do círculo interno de pessoas mais próximas a Trump.

Segundo a Associated Press, Rick Gates trabalhou pessoalmente com firmas de lobby de Washington para coordenar uma campanha para promover interesses ucranianos e ajudou um esforço para reduzir o apoio a Yulia Tymoshenko, rival política de Yanukovich.

Gates não se registrou como agente de um país estrangeiro, fato que lhe permitiu usar cerca de US$3 milhões de contas em paraísos fiscais "para pagar suas despesas pessoais, incluindo o financiamento de sua casa, a escola de seus filhos e a decoração interior de sua residência na Virgínia", alega o indiciamento.

"Tudo foi feito legalmente e com a aprovação de nossos advogados", falou Gates em junho. "Ao que eu saiba, nunca nada foi feito de maneira inapropriada."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Os protestos contra decreto de Trump sobre imigrantes