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Brasil não reconhece independência da Catalunha

“O governo brasileiro reitera seu chamado ao diálogo com base no pleno respeito à legalidade constitucional e na preservação da unidade do Reino da Espanha”, diz Itamaraty.

28/10/2017 14:39 -02 | Atualizado 28/10/2017 14:39 -02
Stringer . / Reuters
Manifestantes seguram bandeira separatistas da Catalunha.

O Ministério de Relações Exteriores informou que não reconhece a independência da Catalunha. Os parlamentares catalães aprovaram, nesta sexta-feira a separação da região da Espanha.

"O governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos relativos à Catalunha, rejeita a declaração unilateral de independência e reitera seu chamado ao diálogo com base no pleno respeito à legalidade constitucional e na preservação da unidade do Reino da Espanha", afirmou o Itamaraty, em nota.

Em reação aos separatistas, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, destituiu o líder catalão, Carles Puigdemont, dissolveu o Parlamento catalão e convocou novas eleições regionais para 21 de dezembro.

Até esta data, a vice-presidente da Espanha, Soraya Sáenz de Santamaría, fica responsável pela Catalunha. Ela assumiu a maior parte das funções da presidência e vice-presidência da região neste sábado (28).

Em pronunciamento na TV neste sábado, Puigdemont pediu aos catalães uma "oposição democrática" à intervenção do governo espanhol e afirmou que só o parlamento regional pode eleger ou demitir governantes catalães.

Repercussão internacional

O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, garantiu que a situação não muda e que a Espanha permanece como a única via de diálogo com a União Europeia. A Comissão Europeia já havia alertado que a Catalunha independente ficaria fora a União Europeia e rejeitou mediar a crise política espanhola por considerar um assunto interno.

O Parlamento europeu também rejeitou a decisão da Catalunha. "Ninguém na União Europeia vai defender esta declaração. Mais do que nunca é necessário restabelecer a legalidade como base para o diálogo e garantir as liberdades e direitos de todos os cidadãos da Catalunha", afirmou, em um comunicado, o presidente da instituição, Antonio Tajani.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que a Catalunha é uma "parte integral" da Espanha e apoiou Rajoy. O porta-voz do governo britânico afirmou que "a independência se baseia numa votação que foi declarada ilegal pelos tribunais espanhóis".

O presidente da França, Emmanuel Macron, também declarou apoio ao presidente espanhol. "Há um Estado de direito na Espanha, com regras constitucionais. Ele quer que sejam respeitadas e tem todo meu apoio", afirmou. Alemanha e Itália seguiram na mesma direção.

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