NOTÍCIAS

Patrulha do MBL, agora, ataca o Sesc Pompeia por evento com Judith Butler

Manifestantes acreditam que a escritora inventou a "ideologia de gênero" e que quem estuda o tema "promove ideias nefastas".

27/10/2017 19:34 -02 | Atualizado 10/11/2017 20:37 -02

Exposição em Porto Alegre, peformance no MAM, exposição em Belo Horizonte... E, agora, evento sobre democracia no Sesc Pompeia, em São Paulo. Todos estão na lista de alvos da patrulha formada por simpatizantes de grupos conservadores como o Movimento Brasil Livre.

O motivo desta vez é a escritora norte-americana Judith Butler. Embora o evento se chame "Os Fins da Democracia", o nome de Judith fez o Sesc se tornar um alvo pela figura que ela representa. A intelectual é autora do termo "gênero fluído" para se referir a pessoas que não se reconhecem em nenhum gênero, além de um dos principais ícones em teoria queer.

Judith é ainda autora de Problemas de Gênero: Feminismo e Subversão da Identidade, um marco na literatura feminista contemporânea.

Os ativistas desses grupos têm dificuldade para aceitar a luta das mulheres por igualdade, em um País onde 4,4 milhões de mulheres são vítimas de agressão por ano. Também não entendem a luta contra a homofobia no Brasil, a nação que mais mata pessoas trans do mundo.

Eles acreditam que a escritora inventou a "ideologia de gênero" e que quem estuda o tema "promove ideias nefastas". Indignados, os manifestantes pedem o cancelamento do evento.

Junto com o pedido de cancelamento do evento, os manifestantes iniciaram uma avalanche de avaliações negativas à página do Sesc Pompeia no Facebook. Em respostas, pessoas contrárias ao protesto promovem um "avaliaço" positivo à página.

Um dos comentários sobre o caso ressalta que o manifestantes "acusam espaços e pessoas de doutrinação quando são espaços para reflexão e discussão sem nem ao menos saberem do que exatamente se trata".

No site, o Sesc destaca na descrição do evento o aumento de movimentos populistas nos últimos anos". E que eles levantam questões sobre os desafios para a democracia liberal e suas formas institucionais básicas.

"Qual significado, se houver, pode ser dado à soberania popular durante este período, e como isto se relaciona com as ideias predominantes de populismo?", questiona. "Seguindo o espírito da abordagem crítica formulada pela geração frankfurtiana da teoria crítica, esta conferência reúne filósofos, sociólogos, antropólogos, cientistas políticos e psicanalistas de vários países para abordar a necessidade de uma reatualização da teoria crítica à luz dos presentes desafios políticos", explica.

18 livros para entender mais sobre feminismo e direitos das mulheres