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MPF instaura inquérito para investigar se incêndio na Chapada foi criminoso

O fogo já consumiu 26% da área total do parque.

27/10/2017 17:36 -02 | Atualizado 27/10/2017 17:37 -02
Valter Campanato/Agência Brasil
Eles terão o prazo de cinco dias para encaminhar informações ao MPF relacionadas ao incêndio.

Diante de informações de que o incêndio na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, é criminoso, o Ministério Público Federal (MPF) em Luziânia (GO) cobrou esclarecimentos da Polícia Federal, do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e do município de Alto Paraíso de Goiás. Eles terão o prazo de cinco dias para encaminhar informações ao MPF relacionadas ao incêndio.

As informações serão prestadas no inquérito civil para apurar as causas ou o que contribuiu para o início ou avanço do incêndio de grandes proporções que ocorre no Parque Nacional, instaurado ontem (26). O fogo já consumiu 26% da área total do parque.

Como um dos argumentos, o MPF destaca que o local foi palco de intensa disputa judicial, especialmente no processo de ampliação do Parque Nacional, que passou de 65 mil para 240 mil hectares. Uma das hipóteses que circula nas cidades é de que o incêndio seja mantido por pessoas contrárias à ampliação.

Como primeira providência, a procuradora da República Nádia Simas Souza expediu ofícios à Polícia Federal, ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros e ao município de Alto Paraíso de Goiás.

À Polícia Federal, o MPF solicitou informações atualizadas sobre as medidas adotadas para a apuração de possíveis crimes relacionados ao incêndio no Parque e se já há inquérito policial instaurado. Quanto ao município de Alto Paraíso de Goiás, o MPF quer saber quais foram as providências adotadas para que a situação de emergência declarada pela prefeitura seja reconhecida pelo governo federal.

Em relação ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o MPF quer informações sobre a instauração de procedimento administrativo para apurar as causas ensejadoras do incêndio, se ele foi acidental ou proposital, sendo que, nessa última hipótese, que aponte a existência de possíveis elementos de informação que possam conduzir à sua autoria.

Incêndios afetam a saúde de moradores

osses, náuseas, sangramentos pelo nariz, dores de cabeça são sintomas que têm sido comuns aos moradores da Vila de São Jorge, localizada a 36km de Alto Paraíso (GO), e próxima à área afetada pelo incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Desde o início das queimadas, a vila é invadida por fumaça e fuligem. Sem assistência, os moradores precisam buscar atendimento em outras cidades.

A professora Regiana Araujo, 29 anos, teve que levar a filha, Kauane, de 1 ano e 10 meses para Brasília. "Ela passou muito mal, nunca tinha tido isso", conta. Regiana é professora de ensino infantil, na Escola Municipal Povoado de São Jorge. Desde o início do incêndio pelo menos seis crianças faltaram aula por não se sentirem bem.

A situação se repete também entre as crianças mais velhas, no ensino fundamental. "Tem muita criança faltando as aulas, muita fumaça. A gente tem que trabalhar na sala de aula com ventilador ligado", diz a vice-diretora Shirley da Silva Gomes.

Pela cidade, os relatos de problemas de saúde não são poucos. A terapeuta Gisele Aleixo Bianchini, 37 anos, grávida, decidiu deixar São Jorge e ir para a casa dos pais, em Franca (SP). "Vou embora da vila para poder me proteger, estou passando muito mal, preciso também proteger o neném", diz. Gisele é uma das voluntárias no combate ao incêndio. Ela abriu as portas da casa para concentrar as doações e preparar comida para brigadistas e voluntários. Mas, com a fumaça, decidiu deixar o local.