POLÍTICA

'Doria é ameaça ao Alckmin, não a mim', diz Lula

"Tá cheio de politico que se elege com o compromisso de governar por 4 anos e depois percebe que os problemas são grandes, aí tiram o cavalinho da chuva."

27/10/2017 12:07 -02 | Atualizado 27/10/2017 12:53 -02
Bruno Kelly / Reuters
Lula está em caravana de comícios, encontros e conversas em Minas Gerais.

O ex-presidente Lula diz não estar muito preocupado com o adversário político João Doria para as eleições de 2018. "Ele é uma ameaça ao Alckmin, não a mim", afirmou em entrevista à Rádio Itatiaia, de Montes Claros (MG).

Apesar da declaração, ele aproveitou a entrevista para alfinetar a conduta do prefeito. Para Lula, ao optar pela candidatura à Presidência da República, Doria foge do compromisso de governar São Paulo, a maior cidade do País. "Tá cheio de politico que se elege com o compromisso de governar por quatro anos e depois percebe que os problemas são muito grandes. Aí as pessoas tiram o cavalinho da chuva", comentou o ex-presidente, citando como exemplos Jânio Quadros e José Serra.

João Doria parece ter uma visão diferente, pois não poupa críticas ao ex-presidente. Logo que assumiu o mandato na prefeitura, Doria dedicou o plantio de Pau-Brasil "a Lula, o maior cara de pau do Brasil". Em julho, quando o petista foi condenado a nove anos e meio de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, ele comemorou a decisão em vídeo publicado nas redes sociais.

Corrida por 2018

Durante a entrevista em Minas Gerais, Lula sinalizou que poderia fazer alianças com partidos investigados por corrupção. "A única vez que um partido sozinho conseguiu maioria da câmara foi em 1996. Você faz aliança política com quem ganha eleição e está no Congresso Nacional, precisa construir maioria para aprovar coisas no Senado e na Câmara. Seria uma felicidade se depois das eleições de 2018, tivessem 513 anjos na câmara."

Ele também pediu que as pessoas não tenham "tanto preconceito" com os parlamentares porque "a cara do Congresso hoje é a cara do eleitor brasileiro no dia da eleição" de 2014.

Lula está em caravana de comícios, encontros e conversas em Minas Gerais. Antes disso, fez o mesmo no Nordeste do Brasil. Em todas as cidades em que esteve, ele fez discursos que exaltavam os ganhos de seus dois mandatos e sugeriu que a oposição o derrubasse nas urnas.

Apesar do tom de campanha, o ex-presidente afirmou, na entrevista à Itatiaia, que não é candidato porque depende de uma "convenção partidária que indique isso". No PT, seu nome soa como unanimidade.

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