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A máscara de Cidade Maravilhosa: Violência e assassinatos afastam turistas do Rio

Pelo menos 5 estrangeiros foram assassinados em visita ao Rio de Janeiro neste ano. Escalada da violência afeta atividade turística.

24/10/2017 13:54 -02 | Atualizado 24/10/2017 13:54 -02
Ricardo Moraes / Reuters
Escalada da violência afeta atividade turística.

O Rio de Janeiro é destino obrigatório para quem quer conhecer o Brasil, mas neste ano a capital fluminense tem perdido o posto de Cidade Maravilhosa para a escalada da violência. Só nos primeiros quatro meses de 2017, o estado deixou de coletar R$ 320 milhões em receitas de turistas, de acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Neste ano, ao menos cinco assassinatos de estrangeiros visitando o Rio chamaram atenção do noticiário nacional e internacional. Um turista argentino foi morto após sair de uma casa de festas na zona sul em março. No mês de julho, um polonês foi esfaqueado no percurso da trilha que leva ao Cristo Redentor. Em agosto, uma inglesa foi morta a tiros por traficantes durante a sua estadia em Angra dos Reis. Já outro italiano foi alvo de violência após entrar acidentalmente no Morro dos Prazeres, uma favela em Santa Teresa, e perdeu a vida.

Na última segunda-feira (23), a violência no Rio fez outra vítima. Uma turista espanhola de 67 anos foi morta a tiros por policiais na Rocinha, zona sul do Rio de Janeiro, após um passeio na comunidade. Maria Esperanza Ruiz Jimenez estava em um carro que teria furado um bloqueio feito pela Polícia Militar no Largo do Boiadeiro.

De acordo a Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat), o motorista do veículo afirma não ter visto os policiais. Quando o veículo estava se preparando para deixar a comunidade, o grupo ouviu sons de disparos e o motorista acelerou o veículo.

A espanhola foi atingida por uma bala no pescoço e levada ao hospital, mas não resistiu. Ela estava acompanhada do irmão, Jose Luiz Ruiz, de 70 anos, e a cunhada, Rosa Margarita Fernandez.

Contudo, na versão dos PMs, os policiais desconfiaram que o veículo poderia estar transportando criminosos da comunidade, uma vez que o motorista tinha subido o morro com o carro vazio.

A corregedoria da corporação determinou a prisão em flagrante dos dois policiais diretamente envolvidos no disparo – um tenente e um soldado. Eles foram encaminhados para Unidade Prisional da PM, em Niterói, região metropolitana do Rio.

Em nota, a Polícia Militar, afirma que os policiais não respeitaram o Manual de Abordagem. O manual diz que a força policial não deve fazer disparos e sim perseguir o veículo.

MAURO PIMENTEL via Getty Images

Violência policial sobe quase 30% no Rio

O clima tenso na Rocinha já dura algumas semanas. Desde setembro, a comunidade enfrenta uma disputa pelo tráfico de drogas entre os grupos liderados por Antônio Francisco Bomfim Lopes, o Nem, que quer derrubar o Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157. A violência chamou atenção do governo do Estado, que fez uma intervenção durante nove dias com as Forças Armadas.

Em entrevista ao G1, a delegada titular da Delegacia Especial de Atendimento ao Turismo (Deat) Valeria Aragão afirma que os turistas se sentiam mais seguros com a presença da patrulha.

"Eles sabiam que era uma comunidade, mas desconheciam que era uma área conflagrada", afirmou Aragão.

De acordo com o Estadão, entre janeiro e agosto, 712 pessoas foram vítimas de letalidade policial no Rio de Janeiro - quase três por dia. A alta é de 29,9%, se comparado o mesmo período de 2016. Os números são do Instituto de Segurança Pública.

O Mapa da Violência, produzido pelo G1 com base em dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), traz outro dado preocupante: As mortes associadas às operações e intervenções policiais cresceram 60% no Rio de Janeiro.

Para Roberto Sá, secretário de Segurança do Rio, o nome dado às UPPs, com seu propósito de paz, não passa de um sonho: "Esse nome traz cobrança que é injusta para o que se propõe tão somente o policiamento ostensivo. O nome foi equivocado", afirmou em entrevista à GloboNews.

De acordo com o secretário, o grande problema do Rio não é a ação policial, mas a impunidade e o fácil acesso às armas pelos criminosos.

Violência no Rio de Janeiro 2017