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Se eleito, Lula quer referendo para revogar medidas de Temer

Em entrevista ao jornal El Mundo, da Espanha, o ex-presidente admite os erros que levaram à queda do PT.

23/10/2017 14:21 -02 | Atualizado 23/10/2017 20:15 -02
Ueslei Marcelino / Reuters
"Nunca me considerei populista, mas sim um presidente extremamente popular."

A primeira ação de Lula, caso eleito em 2018, será a proposição de um referendo revogatório das medidas e reformas aprovadas por Michel Temer. Essa foi a resposta do ex-presidente ao jornal espanhol El Mundo, em entrevista publicada neste domingo (22).

Ele classifica como "criminal" a PEC do teto, que congela os gastos da União por 20 anos, porque faltam coisas básicas no País, como "saneamento e moradia". Lula classifica ainda que a recuperação da economia e a retomada do emprego podem ser alcançadas com investimento em infraestrutura, para o qual o País tem potencial, segundo sua avaliação.

Mais uma vez, ele ataca o processo judicial do qual é réu e o classifica como uma "farsa". Lula se refere ao caso do tríplex do Guarujá, pelo qual foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Para o ex-presidente, parte da culpa é da imprensa que, segundo ele, tem mais poder que o Ministério Público. Lula põe na conta da imprensa, também, as manifestações de 2013, segundo ele, responsáveis pelo início da perda de credibilidade do governo brasileiro.

Na entrevista, o ex-presidente admite que o governo Dilma cometeu dois grandes erros que levaram ao descontentamento com a então presidente e o governo PT: "nosso maior erro foi exagerar na política de desoneração das grandes empresas. O Estado deixou de arrecadar para devolver aos empresários. O segundo erro veio quando a presidente anunciou o ajuste fiscal, e o eleitorado que a havia eleito em 2014, ao qual havíamos prometido que manteríamos os gastos, se sentiu traído".

Por fim, Lula rechaça uma classificação populista em comparação com outros líderes latino-americanos. "Nunca me considerei populista, mas sim um presidente extremamente popular."

Leia a entrevista completa.

* A reportagem foi atualizada para corrigir uma declaração alterada pelo "El Mundo". Em uma nova versão da entrevista, o jornal mudou frase na qual dizia que Dilma tinha traído o eleitorado e disse que o eleitorado se sentiu traído.

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