COMPORTAMENTO

Por que o futuro é um mundo sem rótulos?

“O nosso ideal é que não existam caixinhas – não sei se eu vou viver isso, acho que esse é um caminho bem grande”

23/10/2017 09:28 -02 | Atualizado 23/10/2017 09:28 -02
Divulgação / Avon
Bruna Linzmeyer, Mc Carol e Candy Mel

Como seria transitar em um mundo sem rótulos? O momento em que se vive hoje é de luta: pelo direito das mulheres, da comunidade negra, de jovens LGBTQ+... E enquanto essa luta é extremamente necessária, ela tem um objetivo: levar a sociedade à um patamar de igualdade em que os rótulos, justamente, não serão mais relevantes.

Em entrevista para o HuffPost Brasil, Bruna Linzmeyer comentou, durante o shooting da campanha da nova mascara alongadora Avon Supreme, que existe uma longa caminhada até que essa seja a realidade vivida.

"A gente caminha para [um mundo sem rótulos].", disse. "Se eu sou lésbica, se sou heterossexual, se eu sou bissexual... Eu sou tudo isso e um milhão de coisas mais. O nosso ideal é que não existam caixinhas – não sei se eu vou viver isso, acho que esse é um caminho bem grande".

As 'caixinhas' já existem e são utilizadas como uma forma de exclusão: quem não se encaixa no padrão de beleza vigente é visto como diferente e, portanto, como inferior. Porém, como explica a atriz, o exercício é mudar o propósito dessas ideias para que elas sirvam como um catalisador do diálogo, incentivando as pessoas a buscarem entender melhor porque essa diferenciação é feita.

MC Carol, também uma das estrelas da campanha da gigante de cosméticos, sabe bem o que é ser vista por todos esses delimitadores. Negra, da periferia e gorda, ela usa as redes sociais para divulgar o seu trabalho e também para levantar a bandeira contra a gordofobia, sempre usando as plataformas para mostrar que o seu peso não a define e que ela tem o direito de se sentir linda com o corpo que quiser ter.

"A cada ano que passa a cabeça das pessoas vai melhorando. E eu acredito que um dia o mundo vai ser um lugar legal. Onde todo mundo vai se amar, todo mundo vai se respeitar. Eu acredito muito nisso", diz a MC. "Eu acho que estou tentando [colaborar para esse futuro]. Eu desfilar no SPFW... Eu quase enfartei! Eu estava suando frio no ar condicionado. Mas eu estar ali, eu acho que já estou ajudando de alguma forma. Se eu soubesse que não estava ajudando em nada eu saía correndo. Eu estou tentando".

Candy Mel, que participa pela segunda vez de uma ação de Avon, diz que a luta diária contra o machismo objetiva acabar com as violências de todo dia, e isso pode ser doloroso. Ainda assim, para ela, é essencial reconhecer como esse machismo – e tantos outros preconceitos e ideias racistas que são reproduzidas ao longo da vida – aparecem na nossa rotina para conseguirmos desconstruir essa mentalidade.

"A internet tem ajudado bastante nisso: a comunicação das pessoas. Aumentou o acesso às opiniões e à informação. Ou seja, quem não sabe ou quem não procura saber ou é ignorante, é por escolha. Da mesma forma que essa pessoa também alimenta uma rede com muito ódio...", disse a vocalista da Banda Uó.

Sobre viver em um mundo sem rótulos, Mel diz que acredita 'até em unicórnios', mas que isso não necessariamente é ruim ou que essa possibilidade de futuro seja utópica, pelo contrário: "Eu acho que é isso que me movimenta e me faz movimentar dentro desse mundo em que a gente vive. Eu acredito, sim, que um dia as coisas serão boas. Acho que pode demorar muito, mas eu vivo o hoje e eu tento fazer o hoje o melhor possível".