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'Respeitem nosso luto, somos humanos', pede mãe de vítima de ataque em Goiânia

Mãe de João Pedro, que teria praticado bullying contra atirador, pediu menos julgamento nas redes sociais.

22/10/2017 13:44 -02 | Atualizado 22/10/2017 18:34 -02
Reprodução/Instagram
No Instagram, Barbara Melo, mãe de João Pedro, uma das vítimas, fez um apelo: "Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que vc [sic.] tem lido".

"Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que você tem lido", escreveu Barbara Melo, mãe de uma das vítimas do adolescente que abriu fogo no Colégio Goyases, em Goiânia, na manhã última sexta-feira (20).

Seu filho, João Pedro, de 13 anos, e João Vitor Gomes, também de 13, morreram no local após serem baleados pelo colega de classe, o adolescente de 14 anos, filho de policiais militares, em ataque que chocou o Brasil nesta semana. De acordo com as investigações, o tiroteio era premeditado e motivado por bullying. Foi relatado que colegas de classe o chamavam de "fedido", por não usar desodorante.

Em depoimento, o atirador afirma que tinha intenção de matar apenas o colega autor do bullying, mas no momento do ataque, sentiu vontade de fazer mais vítimas. À Folha, colegas de classe relataram que o estudante tinha inimizade com João Pedro.

Ao delegado Luiz Gonzaga Júnior, ele diz ter se inspirado nos casos de Columbine, nos Estados Unidos, e Realengo, no Rio de Janeiro, em que atiradores também abriram fogo dentro de escolas. Além de matar os dois colegas, o atirador deixou mais quatro feridos, uma está em estado grave.

Com a grande repercussão, a mãe da vítima decidiu se pronunciar no Instagram no último sábado (21). "A vida e suas reticências... não vou reclamar meu Papai do Céu... Apenas aceitarei seus propósitos. Não entendo, nunca vou entender. Não quero buscar explicações", escreveu Barbara, mãe de João e mais duas crianças. "O Senhor apenas me emprestou o João Pedro pelos melhores 13 anos da minha vida."

Ela comentou sobre a hipótese de que seu filho tenha praticado bullying contra o atirador e pediu menos julgamento. "Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que vc [sic.] tem lido. Nós e a escola sabemos que não foi assim. Somos pais presentes, disponíveis, empenhados na educação dos nossos 3 filhos", declarou.

Ela também pediu mais respeito neste momento difícil.

"Respeitem nosso luto, somos humanos, falhos, gente que tenta acertar todos dias. Meu príncipe foi morar num lugar onde não há choro, tristeza ou dor. Nosso filho querido, amado, responsável por natureza... Amamos vc eternamente! Estou despedaçada, mas o Senhor, no tempo Ele, me restaurará."

A vida e suas reticências... não vou reclamar meu Papai do Céu... Apenas aceitarei seus propósitos. Não entendo, nunca vou entender. Não quero buscar explicações. O Senhor apenas me emprestou o João Pedro pelos melhores 13 anos da minha vida. Não julgue o nosso filho, a nossa família pelas notícias que vc tem lido. Nós é a escola sabemos que não foi assim. Somos pais presentes, disponíveis, empenhados na educação dos nossos 3 filhos. Respeitem nosso luto, somos humanos, falhos, gente que tenta acertar todos dias. Meu príncipe foi morar num lugar onde não há choro, tristeza ou dor. Nosso filho querido, amado, responsável por natureza.... Amamos vc eternamente! Estou despedaçada, mas o Senhor, no tempo dEle, me restaurará.

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