MUNDO

O movimento de repúdio dos somalis ao maior ataque terrorista já sofrido no país

Para os moradores de Mogadíscio, o ataque é considerado o "11 de setembro" do país.

18/10/2017 15:55 -02 | Atualizado 18/10/2017 15:55 -02
Feisal Omar / Reuters
O ataque ocorreu em frente ao hotel Safari, que fica perto de ministérios do governo somali e em uma rua bastante movimentada de Mogadíscio.

Nesta quarta-feira (18), as ruas de Mogadíscio, capital da Somália, foram tomadas por centenas de manifestantes em um movimento de repúdio ao ataque sofrido pelo país no último sábado (14). As explosões das bombas deixaram mais de 300 mortos e pelo menos 400 feridos. Cerca de 70 pessoas ainda estão desaparecidas, de acordo com a polícia.

Para os moradores de Mogadíscio, o ataque é considerado o "11 de setembro" do país. A referência ao atentado às Torres Gêmeas, no centro financeiro de Nova York, em 2001, se dá não apenas pelo número de vítimas, mas pelo simbolismo e trauma deixados pelo rastro das bombas.

De acordo com O Globo, os somalis, ainda, questionam o "silêncio" da mídia internacional sobre o ataque.

"Podem nos matar, mas não o nosso espírito e nosso desejo de paz", declarou a professora da escola secundária Zainab Muse.

A ofensiva ocorreu em frente ao hotel Safari, que fica perto de ministérios do governo somali e em uma rua bastante movimentada de Mogadíscio. O prédio foi amplamente destruído pela explosão.

O presidente Mohamed Abdullahi Mohamed declarou três dias de luto e se juntou às milhares de pessoas que responderam aos apelos desesperados dos hospitais por doações de sangue. "Estou implorando ao povo somali para que doem", afirmou o governante.

Feisal Omar / Reuters

A explosão ainda não foi reivindicada por nenhum grupo, mas o governo culpa o grupo fundamentalista islâmico somali Al Shabab, que vem aumentando suas ações no centro e no sul do país nos últimos meses.

O atentado ocorreu dois dias depois de um encontro em Mogadíscio entre o presidente da Somália e expoentes do comando dos EUA na África. Além disso, três dias atrás, o governo perdeu dois membros de seu alto escalão, o ministro da Defesa Abdirashid Abdullahi Mohamed e o chefe das Forças Armadas Ahmed Jimale.

Situado no Chifre da África, a Somália é um dos países mais vulneráveis do mundo por causa da pobreza disseminada, da atuação de milícias terroristas e da instabilidade política. Em março, o governo somali chegou a declarar estado de calamidade nacional por causa da fome no país.

Feisal Omar / Reuters

Feisal Omar / Reuters

MOHAMED ABDIWAHAB via Getty Images

MOHAMED ABDIWAHAB via Getty Images

AFP/Getty Images
AFP/Getty Images