POLÍTICA

'Não é uma foto de cachorro que vai mudar a imagem de Temer. A realidade tem que ajudar', diz especialista em marketing

Muito formal dentro e fora das redes, Temer parece estar tentando mostrar um lado mais "zoeiro" para ganhar a simpatia dos eleitores.

18/10/2017 18:20 -02 | Atualizado 19/10/2017 16:27 -02
Reprodução
As postagens chamaram atenção e causaram um certo estranhamento dos usuários.

No último domingo (15), uma foto descontraída de Michel Temer com seu cachorro da raça Golden Retriever Thor é postada nas redes sociais com a descrição "domingo de carinho". Dois dias depois, a assessoria de comunicação da presidência posta uma brincadeira, com Temer segurando o celular em uma foto e um áudio de uma ligação com um jornalista, com a descrição: "Quando atender o telefone, não diga alô. Diga Alô, Temer. #FaleComOPresidente."

As postagens chamaram atenção e causaram um certo estranhamento dos usuários. Formal dentro e fora das redes sociais, Temer parece estar tentando mostrar seu lado um pouco mais "zoeiro" para ganhar a simpatia dos eleitores.

"Por enquanto, esse passo ainda é tímido, mas as últimas postagens indicam que ele está tentando flexibilizar sua imagem, ganhar atenção dos usuários em um ambiente que permite certas posturas informais, que é a internet", analisou o consultor, palestrante e professor de Marketing da ESPM, Gabriel Rossi.

Para o especialista, a diferente abordagem provavelmente se deve à necessidade de melhorar a imagem já desgastada do presidente, alvo de denúncias da Procuradoria-Geral da República, citado em depoimentos de delatores da Lava Jato e com a pior aprovação da história. A última sondagem da CNI/Ibope mostrou que apenas 3% dos brasileiros acham sua gestão boa ou ótima.

Adicionado às denúncias de corrupção, Temer também leva a fama de ser extremamente conservador e até ultrapassado. Ele já confundiu a moeda corrente (o real) com cruzeiros, que deixou de circular em 1993, e já pediu a parlamentares que o enviassem telegramas em vez de mensagens no WhatsApp. Inclusive, ele parabenizou a vitória do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por um telegrama.

Seu gosto por mandar cartas e pelo uso da mesóclise ("consertá-lo-ei") também não ajuda a inflar o lado "moderno" do presidente.

A estratégia de desconstruir toda essa seriedade e estabelecer uma comunicação com usuários também revela a tendência de se consolidar nas redes sociais. "Não é questão de escolha estar no meio digital. Mais de 100 milhões de brasileiros estão conectados, todo mundo precisa estar nas redes sociais, inclusive os políticos. Só olhar o exemplo do Doria [prefeito de São Paulo], o quanto ele se esforça para conversar com seus seguidores", exemplifica Rossi.

Mas, ainda na avaliação de Rossi, a melhora da imagem de Temer necessitará de mais do que memes. "Tem a questão das denúncias, da impopularidade, ou seja, não é uma foto de cachorro que vai mudar isso. A realidade também vai ter que ajudar."

Ainda segundo Rossi, as últimas postagens do presidente podem ser um sinal de que ele queira desviar a atenção dos últimos acontecimentos, como, a segunda denúncia votada hoje na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara."Um político nas redes sociais não é pra ser viral, é conseguir comunicar com certa profundidade com a base eleitoral dele. Acho que isso é importante. Ele é um político experiente, ele sabe que a imagem dele está desgastada e que o problema vai além da internet", opinou.

Tenho a impressão que talvez ele queira renovar a imagem. Agora, precisa ter credibilidade... Ele é aquilo que está comunicando?

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