MULHERES

São Paulo e Nova Déli: As cidades mais perigosas no mundo para ser mulher

De acordo com pesquisa do instituto Reuters, as capitais são as piores para as mulheres em relação a crimes sexuais.

17/10/2017 16:11 -02 | Atualizado 17/10/2017 19:19 -02
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No Brasil, a cada onze minutos é notificado um novo caso de estupro.

No Brasil, a cada onze minutos é notificado um novo caso de estupro. Pelo menos 90% das brasileiras afirmam ter medo de serem vítimas de agressão sexual. Na maior cidade do país, a realidade é um reflexo dos índices do Mapa da Violência: São Paulo tem pelo menos quatro novos registros de assédio sexual em transporte público por semana.

As estatísticas reforçam o mais recente título da capital paulistana. Ao lado de Nova Deli, capital da Índia, a cidade brasileira foi considerada como a metrópole mais perigosa para elas quando se trata de crimes sexuais.

O dado é referente a pesquisa realizada pelo instituto Fundação Thomson Reuters em julho deste ano e que foi divulgado na última segunda-feira (16). O documento foi realizado com base na percepção de 380 especialistas de todo o mundo, entre professores, representantes de ONGs e formadores de opinião.

Foram selecionadas 19 cidades, todas elas com pelo menos 10 milhões de habitantes, para serem avaliadas. Cultura nociva às mulheres, acesso à saúde e oportunidades no mercado de trabalho foram outros quesitos analisados pela instituição, além do assédio e da violência sexual.

Na lista, São Paulo está na 11ª posição geral. A primeira é ocupada pela cidade de Cairo, no Egito, seguida por Kinshasa, no Congo, e Carachi, no Paquistão. Com mais de 21 milhões de habitantes, a capital paulista foi a sexta pior quando se trata de acesso à saúde e a pior da lista em relação à violência sexual.

Entre janeiro e julho de 2017, a cidade de São Paulo registrou cerca de 7 casos de estupros por dia. Só neste ano, foram notificados 1.384 casos nas delegacias da cidade.

Os números, publicados em setembro, foram lembrados no relatório da organização após uma série de casos de violência sexual terem ganhado repercussão na mídia, como o caso do homem que foi preso após ejacular em uma mulher dentro de um ônibus na Avenida Paulista.

Por outro lado, a metrópole brasileira foi considerada a terceira melhor quando se trata de práticas culturais prejudiciais à mulher, como a mutilação genital feminina e os casamentos forçados.

Em entrevista ao O Globo, a diretora da organização UN Women na Índia, Rebecca Reichmann Tavares, que já atuou no Brasil, afirmou não ter se surpreendido com o ranking da Fundação.

"Não estou surpresa com os resultados, porque eles são baseados em percepções. Índia e Brasil ganharam muita atenção da mídia nessa questão de violência sexual nos últimos anos. A violência sexual em ambas as cidades é, claro, uma realidade, mas não há dados definitivos para sugerir que as taxas são mais altas em Deli e São Paulo do que em qualquer outra cidade", explicou.

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