MULHERES

'Eu também': A campanha global que chama atenção sobre a magnitude do assédio contra mulheres

Em vários países e em diversas línguas, mulheres usaram os seus perfis para compartilhar seus relatos.

17/10/2017 12:11 -02 | Atualizado 17/10/2017 14:46 -02
Reprodução
As mulheres compartilharam o quão o assédio e a violência de gênero está presente na vida de cada uma delas.

Atrizes de todas as idades romperam anos de silêncio ao denunciar o produtor Harvey Weinstein e seus casos de assédio e abuso sexual. Os casos de machismo em Hollywood provocaram uma onda de movimentações nas redes sociais e fora delas. Em consequência disso, Weinstein foi demitido da própria empresa que ajudou a fundar e afastado da Academia do Oscar.

No último domingo (15), a hashtag #MeToo (#EuTambém, em português) acendeu uma nova onde de desabafos, indignação e revolta nas redes. As mulheres compartilharam o quão o assédio e a violência de gênero está presente na vida de cada uma delas, e não só das atrizes americanas.

O primeiro tuíte foi o da atriz Alyssa Milano, a partir de uma conversa que teve com uma amiga. "Se todas as mulheres que já foram assediadas ou abusadas sexualmente escrevessem 'eu também' em seu status, nós poderíamos dar uma dimensão real desse problema para os outros", escreveu.

A expressão viralizou. Ao redor do globo e em diversas línguas, mulheres usaram os seus perfis para compartilhar seus relatos. No Brasil, o movimento #EuTambém revelou a dor das mulheres que já foram estupradas, aquelas que ainda não se sentem seguras para falar dos seus traumas e aquelas que estão simplesmente cansadas do machismo naturalizado no cotidiano.

O movimento ganhou tanta força que, de acordo com a empresa de monitoramento Crimson Hexagon, apenas no domingo, a hashtag #MeToo foi usada mais de cem mil vezes.

Diversas artistas também reforçaram a campanha.

Entenda o caso

Na quinta-feira (5) o New York Times divulgou uma reportagem em demonstra como Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.

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