POLÍTICA

Ciro diz que candidatura de Lula em 2018 é 'desserviço ao País'

Para o pré-candidato, Alckmin está desgastado e Doria é carta fora do baralho.

17/10/2017 11:13 -02 | Atualizado 17/10/2017 14:49 -02
Reuters Photographer / Reuters
Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional durante o primeiro mandato do presidente Lula.

"Se o Lula for candidato, imediatamente se passionaliza o ambiente. Ódios, rancores, violência — e o País não vai ter um minuto para discutir o seu futuro." Assim pensa o presidenciável Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, sobre uma possível candidatura do ex-presidente Lula para a presidência em 2018. Ele vai além: "entendo que a candidatura dele é um desserviço a ele e ao País".

Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta segunda-feira (16), Ciro se coloca como pré-candidato do PDT e como um dos nomes capazes de unir o campo progressista no Brasil. Confessa, no entanto, que precisa da força de Lula para consegui-lo.

"Acredito que ele é capaz de poder fazer isso. De, absolvido, liderando pesquisa, entender, sem qualquer tipo de constrangimento que ele deveria convocar um grande debate que unificasse as forças progressistas do País", afirma.

Mas Ciro não se considera um candidato de esquerda; ele se põe mais ao centro e admite respeitar o agronegócio, um dos setores mais criticados pela esquerda mais radical. "A esquerda tem uma crítica azeda ao agronegócio. Eu respeito profundamente o agronegócio. [...] Eles, sob o ponto de vista de contas, estão pagando a conta do Brasil, há anos", declara.

Para viabilizar sua candidatura, o PDT tem mobilizado candidatos ao Senado e a governos em alguns estados. E Ciro quer uma aliança de seu partido com o PSB.

O PSDB

Para o pré-candidato, até dezembro, o prefeito João Doria será "carta fora do baralho". Ele argumenta que ele "não é do ramo" político. "Torrou o orçamento de São Paulo, queimou as pontes todas. Perdeu o 'timing' para fazer acordo por dentro e ser eventualmente candidato a governador. Colidiu com o cara que o inventou [Geraldo Alckmin]".

Em sua análise, Doria imprimiu a impressão de ser um "carreirista que só pensa em si". Ciro classifica as viagens do prefeito como "ilusão de ótica". "Deixou a grande e grave responsabilidade — que seria a decolagem dele — aqui, descuidada. Como eu sempre disse, é um farsante."

Para ele, a continuação do PSDB na base aliada de Temer, com ministros integrando o governo, além de permitir um desgaste da imagem de Geraldo Alckmin, prejudica o governador de São Paulo e o próprio partido no pleito.

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