MULHERES

Woody Allen sobre Harvey Weinstein: 'Não queremos uma caça às bruxas'

De acordo com o cineasta, é possível escutar "muitos rumores" em Hollywood. 

16/10/2017 12:16 -02 | Atualizado 16/10/2017 12:22 -02
Yves Herman / Reuters
Para Woody Allen, caso de Harvey Weinstein é "triste para todos os envolvidos".

Em entrevista à BBC no último domingo (15), o diretor Woody Allen afirmou que não tinha nenhum conhecimento sobre as denúncias de assédio contra o magnata do cinema americano Harvey Weinstein, seu parceiro em diversas produções.

De acordo com o cineasta, você escuta "muitos rumores" em Hollywood.

"Ninguém jamais veio até mim ou me contou histórias de terror com qualquer seriedade", disse o diretor. "E eles não fariam isso, porque você não está interessado nisso. Você está interessado em fazer seu filme. Mas você ouve um milhão de rumores fantásticos o tempo todo", acrescentou Allen. "E alguns se revelam verdadeiros e alguns - ou muitos - são apenas histórias sobre essa atriz, ou esse ator".

Para Woody Allen, o caso de Weinstein é triste para todos os envolvidos: "Trágico para as mulheres que estavam envolvidas, triste por Harvey, que [a sua] vida está tão destruída. Não há ganhadores nisso, é muito, muito triste e trágico para aquelas pobres mulheres que tiveram que passar por isso", declarou.

O diretor, ainda, afirmou que o magnata americano era um homem "triste e doente", mas que toda essa situação precisava criar algo positivo. Para ele, uma atmosfera de "caça às bruxas" não seria saudável.

"Todo indivíduo em um escritório que gesticule para uma mulher de repente terá que chamar um advogado para se defender", explicou o cineasta.

Woody Allen também é acusado de assédio. Ele foi denunciado por Dylan Farrow, filha de sua ex-companheira Mia Farrow. As denúncias surgiram em 1993, quando o casal estava se divorciando, e ganharam repercussão quando Dylan reiterou sua história em uma reportagem para o New York Times há três anos.

Mia Farrow deixou Woody Allen quando descobriu que ele estava se relacionando com a sua filha adotada Soon-Yi Previn.

Entre os responsáveis pela investigação de Weinstein estava o próprio filho de Allen, Ronan Farrow, que falou com 13 mulheres que disseram que o produtor havia assediado ou abusado sexualmente delas.

Entenda o caso

Na quinta-feira (5) o New York Times divulgou uma reportagem em demonstra como Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.

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