MULHERES

Mari Rodriques quer provar para você que a gordofobia está fora de moda

‘Beleza é uma luz que a pessoa carrega’

16/10/2017 16:28 -02 | Atualizado 17/10/2017 13:07 -02

Mari Rodrigues é gorda. Por muito tempo, isso seria um problema – e em alguns aspectos ainda é visto assim –, mas, para ela, o corpo é uma representação de quem ela é e não define a sua beleza ou sua capacidade. "Beleza é um conceito subjetivo demais para que eu possa explicar. É algo como uma luz que a pessoa carrega, e, automaticamente, a faz ficar interessante. Pode parecer clichê, mas beleza tem mais a ver com amor-próprio e cuidado que com características físicas."

Blogueira por trás do Aquela Mari, a carioca de 28 anos diz que está 'remando contra a maré e aprendendo a amar o corpo gordo cada dia mais' – um posicionamento firme contra a cultura da gordofobia, que ensina mulheres desde cedo que ser gorda não só é errado, como feio. É claro que o seu processo tem gerado frutos, e além de passar a se ver com olhos mais gentis e de aceitação, ela inspira os seus mais de 13 mil seguidores do Instagram a fazerem o mesmo e expande esse trabalho sendo uma das influenciadoras da ação E Aí, Tá Pronta?, da gigante de cosméticos Avon.

Diretamente da sua lua de mel – ela casou há apenas alguns dias –, Mari contou que ainda tem dias em que não se sente 100% linda, mas que eles não têm um peso de negatividade. Ao contrário, são vistos como um ensinamento tanto quanto os demais.

"É verdade que nem sempre acordo me sentindo a mulher mais linda do universo. É importante também dar valor a estes dias. Senão rola um sofrimento maior do que deveria ser um 'bad hair day'. Ao mesmo tempo, gosto de me cuidar, cuidar da minha pele, dos meus cabelos... Me sinto bonita quando vejo um aspecto saudável do meu corpo, como cabelos e pele bem hidratados e firmes", contou.

No próprio Instagram, Mari compartilha a sua vida por completo: os momentos ao lado do agora marido, os bastidores do seu trabalho, os looks do dia e suas fotos na praia de shorts curtinho e maiô. Ela sabe que o seu corpo ainda é um assunto na cabeça (e na boca) das outras pessoas, mas prefere usar a sua profissão para quebrar tabus a respeito de mulheres gordas e incentivar um ambiente de positividade (e não só em relação ao corpo!) e uma rede de apoio e incentivo para quem a acompanha.

"Muitas pessoas ainda me aconselham a emagrecer 'por saúde', quando é bem nítido que é uma questão de estética. A moda plus size teve uma grande participação nesse processo de aceitação também. Até descobrir roupas que ficavam boas no meu corpo (e não mega esticadas ou apertadas), eu fui muito pressionada a emagrecer sob o pretexto de que não haveria roupas para mim. Hoje essa pressão diminuiu, graças ao meu trabalho com o blog", explica.

Para ela, tudo isso pode também ser resumido em uma nova visão de beleza: o que antes era um padrão estático e totalmente inflexível hoje é muito mais amplo e fluido e reconhece que o belo não pode ser definido em um único biótipo feminino – ou ainda que deve ser reduzido à aparência física de uma pessoa.

"Há todo um movimento para que a diversidade da beleza seja reconhecida. Cresceram as variedades de tons de base, os produtos para cabelos cacheados e crespos, e também os referenciais de beleza. Mulheres como Lupita Nyong'o, Tess Holliday e Winnie Harlow serem apontadas como belas é uma amostra de como o mercado da beleza vem expandindo seus conceitos."

Com mulheres como Mari incentivando outras como ela – e o mercado no geral – a olhar para o que está além da balança, do manequim ou da forma como alguém usa o cabelo, a beleza não precisa de um padrão para ser reconhecida, mas de um incentivo constante pela empatia, o autoconhecimento e, acima de tudo, o amor-próprio.

Você se identificou com a jornada de beleza da Mari? Que tal nos contar a sua história e relação com a beleza? É só enviar seu depoimento para o e-mail editor@huffpostbrasil.com!

Divulgação / Avon