MULHERES

Como abstrair dos preconceitos é o caminho para a aceitação

Rosa Luz dá o tom: ‘É fundamental que a gente aprenda a lidar com a diversidade’

16/10/2017 16:25 -02 | Atualizado 17/10/2017 14:18 -02
Divulgação / Rosa Luz
Rosa Luz é youtuber e usa as redes sociais para incentivar a aceitação

"Minha beleza está fora dos padrões impostos por uma sociedade transfóbica e eurocêntrica." É assim que começa uma conversa sobre beleza com Rosa Luz, youtuber do Barraco da Rosa que usa a plataforma para abrir um diálogo sobre a vida, as dificuldades e as lutas da comunidade LGBTQ+.

Ela, que é trans e negra, explicou em entrevista ao HuffPost Brasil que a beleza "é um estado de espírito", assim como disse Tay Oliveira, e que todas as pessoas têm o direito de se sentirem bonitas. Tal qual a blogueira, Rosa também é parte do projeto E Aí, Tá Pronta? de Avon, uma ação que une representatividade e empoderamento por meio da beleza.

A influenciadora sabe que, acima de tudo, não precisa buscar a aceitação da sua beleza do lado de fora, mas dentro de si mesma – até porque, sendo uma mulher transexual, ela sabe que o que precisa mudar primeiro é a visão que as demais pessoas têm dela, pois os tabus sobre a transexualidade ainda são muitos.

"Nunca procurei aceitação de ninguém e estou sempre tentando ficar de boa, abstraindo os preconceitos direcionados para meu corpo. Depois que as pessoas vencem suas próprias barreiras e limitações, elas conseguem enxergar mulheres como eu com outros olhos, daí tudo flui de maneira mais sincera", reflete.

Rosa ainda tem momentos de desconforto em relação à forma como ela se vê e como ela é vista pelos outros, principalmente porque existe também uma hipersexualização das mulheres negras do Brasil – fruto da nossa história de colonização racista e que via as escravas negras como objetos sexuais que eram propriedade dos homens brancos –, e que muitas vezes se estende às trans.

"Estou apenas tentando existir sem estereotipar minha imagem, buscando a liberdade de poder ser quem eu quiser e me sentir bonita independentemente de qualquer padrão que tentar normatizar nossas múltiplas expressões", explica ela.

Para mudar essa visão, ela reforça a importância das redes sociais, porque abriram um canal de comunicação e um espaço de compartilhamento de belezas diferentes, que fogem dos padrões defendidos pelas revistas e a televisão, por exemplo. "A real é que vivemos no Brasil, um país que é diverso e nos apresenta vários tipos de corpos, cabelos, tons e peles: é só sair na rua para poder entender do que estou falando, por isso acredito ser fundamental que a gente aprenda a lidar com a diversidade, com o diferente, e assim poder enxergar que a beleza é, na verdade, plural. Plural como os rostos e corpos das mulheres brasileiras; afinal, somos lindas."

Além de utilizar esses meios para promover uma visão que fuja daquilo que é considerado 'comum' pela sociedade, Rosa ainda incentiva os seus seguidores a buscarem um lugar de interesse pelo outro, para que possam reconhecer a beleza que todos têm e que vai muito além dos rótulos que defendemos.

"(Podemos incentivar as pessoas a se aceitarem mais) Buscando a descolonização dos nossos corpos para que nossa existência opere de maneira única e singular. A beleza de cada um reverbera no cosmos da diversidade e da pluralidade, então perceber e respeitar o outro é fundamental nesse processo de autoaceitação e autopercepção de si", diz.

Você se identificou com a jornada de beleza da Rosa? Que tal nos contar a sua história e relação com a beleza? É só enviar seu depoimento para o e-mail editor@huffpostbrasil.com!

Divulgação / Avon