MULHERES

Após denúncias de assédio, Harvey Weinstein é banido da Academia do Oscar

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas também criticou Hollywood por sua "ignorância e cumplicidade deliberada".

14/10/2017 20:05 -03 | Atualizado 14/10/2017 20:11 -03
Mike Blake / Reuters

Após uma reunião de emergência, o produtor Harvey Weinstein foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas americana neste sábado (14). O magnata de Hollywood foi alvo de denúncias de assédio sexual e alegações de estupro nas últimas semanas.

O Conselho de Diretores da Academia votou pela expulsão imediata de Weinstein da prestigiada organização, de acordo com o comunicado enviado ao HuffPost US.

Para o conselho, o afastamento do poderoso executivo do cinema é uma mensagem para o resto da indústria. Ainda, o comunicado acusa aqueles que estão dentro da comunidade de Hollywood de "ignorância e cumplicidade voluntárias".

O Conselho de Governadores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas reuniu-se hoje para discutir as alegações contra Harvey Weinstein e votou além da necessária maioria de dois terços para expulsá-lo imediatamente da Academia.

Nós fazemos isso não apenas para separar-nos de alguém que não merece o respeito de seus colegas, mas também para enviar uma mensagem de que acabou a era da ignorância voluntária e vergonhosa cumplicidade no comportamento sexualmente predatório e do assédio dentro do local de trabalho em nossa indústria.

O que está em jogo aqui é um problema profundamente preocupante que não tem lugar em nossa sociedade. A Diretoria continua trabalhando para estabelecer padrões éticos de conduta dos quais esperamos que todos os membros da Academia sejam exemplos.

Entenda o caso

Na quinta-feira (5) o New York Times divulgou uma reportagem em demonstra como Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.