MULHERES

'Queria ter dito antes': Jane Fonda incentiva mulheres a falarem sobre seus abusos

No caso Harvey Weinstein, a atriz americana afirmou ter se arrependido de não expôr o produtor desde os primeiros relatos de abusos que ouviu.

13/10/2017 16:00 -03 | Atualizado 13/10/2017 16:00 -03
Isabel Infantes - PA Images via Getty Images
Jane Fonda incentiva mulheres a falarem sobre seus abusos.

Jane Fonda é uma grande referência para atores mais jovens. Aos 79 anos, além de seus personagens, Fonda nunca deixou de se posicionar por aquilo que acredita. No caso Harvey Weinstein, porém, a atriz americana afirmou ter se arrependido de não expôr o produtor desde os primeiros relatos de abusos que ouviu.

"Queria ter dito antes, mas não aconteceu comigo, eu não queria expô-lo. Eu admito que deveria ter sido mais corajosa", contou em entrevista ao programa de televisão HardTalk.

Na entrevista, Fonda afirmou que há um ano soube de casos de assédio por parte de Weinstein, mas não fez nada a respeito. Ela, que é ativista dos direitos das mulheres e, inclusive, já relatou ter sido vítima de violência sexual na infância, não economizou em elogios ao falar sobre o exército de mulheres que resolveram falar abertamente sobre o assédio do 'gigante' de Hollywood.

"Graças a Deus, agora isso está sendo falado. Isso não é um caso extremamente raro em Hollywood. E tão comum quanto em cada país do mundo, em todos setores, como nos negócios, no governo. É o padrão de comportamento de muitos e muitos homens, é algo epidêmico. E quando eles são famosos e poderosos como Harvey, esses casos são comentados. Por isso é muito importante que essas mulheres tenham sido corajosas o bastante para se exporem agora", afirmou.

Na quinta-feira (5,) o New York Times divulgou uma reportagem em que Weinstein chegou a acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres ao longo de três décadas, incluindo a atriz Rose McGowan, e que muitas outras mulheres alegam ter sido alvos de assédio sexual ou conduta sexual imprópria por parte dele.

A atriz Ashley Judd contou ao jornal que, numa reunião marcada para um café da manhã, Weinstein "apareceu de robe e pediu para fazer uma massagem nela ou para ela assistir enquanto ele tomava banho".

Uma ex-funcionária temporária de Weinstein contou que o produtor lhe ofereceu uma carreira profissional se ela aceitasse suas investidas sexuais. E um memorando escrito em 2015 por outra ex-funcionária, Lauren O'Connor, descreve a Weinstein Company como "um ambiente tóxico para as mulheres".

Desde então, Weinstein foi demitido da produtora de cinema que ele próprio ajudou a fundar e outras celebridades como Angelina Jolie e Gwyneth Paltrow também revelaram que foram assediadas pelo produtor.