MULHERES

Por que criar seus filhos de uma forma feminista, segundo Justin Trudeau

“Quero que meus filhos escapem da pressão de um tipo específico de masculinidade que é tão prejudicial aos homens e às pessoas ao redor deles."

12/10/2017 16:58 -03 | Atualizado 12/10/2017 16:58 -03
GEOFF ROBINS via Getty Images
Primeiro-ministro canadense Justin Trudeau, a esposa, Sophie Gregoire e os filhos na parada gay de Toronto.

Primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau escreveu um artigo para a Marie Claire em que explica por que, além da política, é preciso criar os filhos para que se tornem feministas.

O educador e político é casado com Sophie Grégoire, ativista feministas, com quem tem três filhos: Xavier James, nascido em 2007, Ella-Grace Margaret, nascida em 2009 e Hadrian, nascido em 2014.

No texto, Trudeau afirma que está orgulhoso do trabalho que o governo canadense tem feito para tornar o país mais inclusivo e para promover a igualdade de gênero, mas destaca que a ação dos pais também tem pesos nesse processo.

"Todos os dias, em casa, em tenho a incrível e humilde oportunidade de, junto com a minha esposa, Sophie, educar nossos três filhos com empatia, compaixão e amor próprio, além de senso de justiça", escreve.

Ele conta que das filhas do casal, Ella-Grace, nascida em 2009, está crescendo "gentil, super esperta, uma debatedora apaixonada e aberta ao mundo ao redor dela". E que ele se preocupa porque isso não faz com que ela não possa ser atingida pelo machismo.

"É 2017, mas ainda assim, tanto no Canadá quanto no mundo, mulheres e meninas ainda enfrentam violência, discriminação, estereótipos que as limitam e oportunidades desiguais que as impede de atingirem seus sonhos. É enfurecedor para mim que nossa filha brilhante e solidária vá crescer em um mundo onde, apesar de tudo que ela é como pessoa, ainda haverá pessoas que não levarão suas palavras à sério, que vão desconsiderá-la simplesmente por causa do gênero dela", escreveu Trudeu.

De acordo com o primeiro-ministro canadense, a melhor forma de ajudar Ella é contribuir para ela aprender que, "definitivamente, ela é boa o suficiente, exatamente da forma como ela é".

É ela aprender que tem imenso poder, que ninguém pode tirar dela. Que ela tem um forte foz, que ela pode usar e confiar. Isso significa educá-la como uma feminista.

Sobre os dois meninos, Trudeu contou que Sophie chamou atenção para que ele refletisse se, além da formação de Ella, ele estava educando os filhos homens para serem defensores dos direitos feministas também.

Quero que meus filhos escapem da pressão de um tipo específico de masculinidade que é tão prejudicial aos homens e às pessoas ao redor deles. Quero que eles se sintam confortáveis com eles mesmos e que sejam feministas que lutem pelo que é certo e que tenham orgulho de ser quem são.

O canadense destaca que feminismo não é só igualdade de gênero, mas "o conhecimento de que, quando somos iguais, todos nós somos livres" e um compromisso para procurar por nós mesmos nos outros. "É assim que começamos a criar um mundo onde todos são tratados com respeito e reconhecimento", escreve.

O primeiro ministro conclui dizendo que esse mundo pode ser construído por pessoas com empatia e senso de justiça, que lutam pelos direitos dos outros.

Criar nossos filhos como feministas é entender que todos temo que fazer nossa parte para construir esse mundo. Criar nossos filhos como feministas é honrar o futuro deles porque eles têm a responsabilidade e o poder de tornar isso melhor.

Histórico

Não é a primeira vez que Trudeu levanta a bandeira feminista. Assim que tomou posse, em novembro de 2015, ele nomeou mulheres para chefiar a metade de seus ministérios.

Em entrevista no Fórum Econômico Mundial, em 2016, o primeiro-ministro afirmou que "feminismo é uma palavra que não deve nos assustar". "Homens e mulheres devem usá-la para se descreverem sempre que quiserem. O papel que temos como homens é o de apoiar e lutar pela igualdade e exigir uma mudança."

Ele também se tornou embaixador da campanha "He for She" (Ele por ela, em tradução livre), encabeçada pela atriz Emma Watson, sobre igualdade de gênero.

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