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Líder da Catalunha declara independência, mas suspende seus efeitos pedindo 'mediação'

"Nosso governo não se distanciará da democracia", disse o presidente da Catalunha, Carles Puigdemont.

10/10/2017 15:08 -03 | Atualizado 10/10/2017 15:42 -03
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Apesar do anúncio, a separação não é reconhecida pela Espanha, que a considera ilegal.

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, anunciou em uma sessão do parlamento nesta terça-feira (10) a independência da comunidade autônoma e iniciar um processo constituinte.

"Como resultado do referendo, a Catalunha ganhou o direito de ser um Estado independente", disse nesta tarde. "Nosso governo não se distanciará da democracia."

Apesar do anúncio, a separação não é reconhecida pela Espanha. "Nada, nem a violência, impediu o plebiscito", disse Puigdemont, citando a abordagem violenta da polícia espanhola durante o referendo da independência da região, no dia 1º deste mês. "As urnas disseram sim à independência, e este é o caminho que estou comprometido a transitar."

No dia, apenas 43% compareceram e, entre eles, 90% votaram pela separação da região. O governo espanhol afirma que o referendo foi ilegal e que não reconhecerá o processo.

Puigdemont ainda pediu uma mediação internacional e quer que o diálogo prevaleça neste processo, sem conflito entre a Catalunha e o governo espanhol. Por isso, ele propôs a suspensão da declaração de independência por "algumas semanas" para que se abra um canal de negociações entre Barcelona e Madri, capital espanhola que considera a separação ilegal. "Apelo à responsabilidade de todos. Ao governo espanhol, peço que aceite a mediação", disse.

Faz cerca de três anos que a região da Catalunha realiza intensas campanhas pela separação da Espanha. Madri, no entanto, quer barrar o movimento e a polícia espanhola chegou a anunciar que poderia prender Puigdemont caso ele declarasse independência.