NOTÍCIAS

'Eu não sou uma vítima': A resposta da modelo que estrelou a controversa campanha de Dove

"Se eu tivesse a suspeita de que seria retratada como inferior, teria sido a primeira a dizer não."

10/10/2017 12:35 -03 | Atualizado 10/10/2017 12:48 -03

Lola Ogunyemi, a modelo que estrelou a campanha de Dove acusada de racismo na última sexta-feira (6) se pronunciou sobre o caso e afirmou que "não é uma vítima".

Modelo nigeriana, nascida em Londres e criada em Atlanta, nos EUA, Lola cresceu consciente de que modelos de pele escura são raramente destaque na mídia. Justamente por isso, ela aceitou ser o rosto de uma campanha global.

"Ter a oportunidade de representar minhas irmãs negras para uma marca de beleza global me pareceu a maneira perfeita de lembrar ao mundo que estamos aqui, somos lindas e, mais importante, somos valorizadas", escreveu Lola em depoimento ao The Guardian.

No texto, a modelo revelou que estava entusiasmada por promover a beleza negra e que ficou assustada ao descobrir, da noite para o dia, que se tornara "o cartaz involuntário de uma propaganda racista".

Na sexta (6), a página de Dove compartilhou um vídeo breve na Lola aparece tirando sua camiseta marrom, transformando-se em outra modelo, de pele branca e cabelos ruivos. Na sequência, a segunda modelo tira a camiseta e se converte numa outra mulher, com outro tom de pele.

A maquiadora norte-americana Naomi Blake usou seu Facebook para denunciar a campanha por considerar a sequência de imagens uma associação da pele negra à sujeira e da pele branca à limpeza.

Divulgação

O protesto da maquiadora teve mais de 10 mil compartilhamentos em menos de 24 horas. Após a repercussão negativa, a Dove postou em suas redes um pedido de desculpas.

"Uma imagem que publicamos recentemente no Facebook errou ao representar mulheres negras de forma desrespeitosa. Lamentamos profundamente a ofensa que isso causou."

"Se eu tivesse a suspeita de que seria retratada como inferior, ou como "antes" em uma propagada de antes e depois, eu teria sido a primeira a dizer um "não" enfático. Eu teria ido embora. Isso é algo que vai contra tudo o que acredito", escreveu Lola.

Segundo a modelo, a experiência no set foi positiva.

Lá, todas as mulheres envolvidas entenderam o conceito e objetivo do anúncio, que era "usar nossas diferenças para destacar o fato de que toda pele merece gentileza".

A modelo ponderou que as imagens que circularam nas redes não mostram o anúncio completo. Isso fez com que a mensagem fosse "mal interpretada".

No depoimento, Lola ressaltou também que os anunciantes deveriam ser mais atentos e "considerar o impacto que as imagens podem causar, especificamente quando se trata de grupos marginalizados de mulheres".

De acordo com a modelo, a indignação do público nas redes é válida, já que que a mrca Dove se envolveu em uma polêmica de mesmo contexto no passado.

Ao final, a modelo disse concordar com o pedido de desculpas da marca de produtos de beleza e higiene pessoal, mas destacou que os responsáveis pela campanha poderiam ter defendido a visão criativa do trabalho e a decisão por incluir uma mulher negra como rosto da campanha.

"Eu não sou apenas uma vítima silenciosa de uma campanha de beleza equivocada. Sou forte, sou linda e não vou ser apagada", finalizou.

Quem são as heroínas negras do Brasil