COMPORTAMENTO

Como reportagens sobre arte e gênero no 'Fantástico' geraram uma onda de boicote à Globo

A hashtag #GloboLixo continua entre os assuntos mais comentados desde segunda-feira (9) no Twitter.

10/10/2017 11:27 -03 | Atualizado 10/10/2017 12:03 -03

Desde domingo à noite, a Rede Globo está sendo alvo de boicote de usuários. O motivo são duas reportagens veiculadas no último programa do Fantástico que abordavam questões de gênero na infância e liberdade de expressão e religião, citando as reações às diversas exposições no Brasil.

A primeira reportagem conta a história de pais e escolas que aboliram distinção entre brinquedos de menina ou de menino. Nela, especialistas dizem que brinquedos, roupas, fantasias e até mesmo corte de cabelo não têm gênero. A ideia foi mostrar que essas diferenciações por gênero entre as crianças não fazem o menor sentido para as próprias crianças.

Em seguida, outra longa reportagem abordou intolerância religiosa e o ataque à liberdade de expressão que a arte brasileira vem enfrentando desde setembro, quando exposições como Queermuseu - Cartografias da Diferença na Arte Brasileira e peças de teatro como "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", na qual Jesus é interpretado por uma transexual, foram canceladas após críticas e protestos.

A reportagem também ouviu especialistas que rebateram a suposta incitação à pedofilia na performance La Bête, do MAM (Museu de Arte Moderna), também muito criticada porque uma criança acompanhada de sua mãe tocou na perna e na mão de um artista nu.

Isso bastou para as redes sociais serem palco de um enorme protesto contra as organizações Globo. No Twitter, criaram a hashtag #GloboLixo e ela ficou entre os assuntos mais comentados desde segunda-feira (9).

O boicote à rede de televisão foi encabeçada pelos mesmos grupos que denunciaram as mostras e peças de teatro, como o MBL (Movimento Brasil Livre).

Desde domingo à noite, a página no Facebook que tem mais de 2 milhões de seguidores, fez diversas postagens com críticas à Globo, acusando-a de ter imposto uma "agenda ideológica" no programa. "Semearam mentiras e colhem a rejeição popular", escreveu o movimento em um post.

Políticos da bancada evangélica também se pronunciaram sobre o assunto.

Críticos à reportagem iniciaram também um movimento de boicote às marcas que anunciam nos intervalos do Fantástico, como O Boticário e Natura.

A Globo não se pronunciou sobre o assunto.

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