MULHERES

EXCLUSIVO: Meryl Streep se manifesta contra Harvey Weinstein

A atriz descreveu as mulheres que denunciaram o produtor como “heroínas”.

09/10/2017 19:21 -03 | Atualizado 09/10/2017 22:14 -03

A atriz premiada com o Oscar Meryl Streep descreveu os casos de assédio sexual dos quais o produtor de Hollywood Harvey Weinstein é acusado como "vergonhosos", "indesculpáveis" e "abuso de poder". Ela chamou de "heroínas" as mulheres que denunciaram.

Em comunicado à imprensa enviado exclusivamente ao HuffPost por Leslee Dart, sua assessora publicitária há anos, Streep disse que não sabia que Weinstein – com quem ela colaborou por anos em filmes como Álbum de Família e A Dama de Ferro e que ela certa vez apelidou de "Deus", como brincadeira – vinha praticando "atos coercivos e inapropriados" e que tinha fechado acordos financeiros extrajudiciais com pelo menos oito mulheres que o acusaram de assédio sexual e agressão.

Dan MacMedan via Getty Images

Meryl Streep divulgou seu comunicado quatro dias depois de o New York Times publicar uma reportagem explosiva detalhando décadas de acusações de assédio e abuso sexual por parte de Weinstein. No domingo (8) o conselho de diretores da The Weinstein Company demitiu o produtor, citando "novas informações que vieram à tona nos últimos dias sobre erros de conduta de Harvey Weinstein".

Veja abaixo a íntegra do comunicado de Streep:

A notícia vergonhosa sobre Harvey Weinstein chocou a todos nós cujo trabalho ele promoveu e defendeu e aqueles cujas causas boas e dignas ele apoiou. As mulheres intrépidas que ergueram suas vozes para expor esses abusos são nossas heroínas.

Uma coisa pode ficar clara. Nem todo o mundo tinha conhecimento. Harvey apoiava o trabalho totalmente, era irritante mas respeitoso comigo em nosso relacionamento profissional e com muitas outras pessoas com quem trabalhou profissionalmente. Eu não tinha conhecimento desses outros delitos; eu não sabia de seus acordos financeiros com atrizes e colegas; não sabia de seus encontros em seu quarto de hotel, seu banheiro, nem de outros atos inapropriados e coercivos. E, se todo o mundo tivesse sabido, não acredito que todos os jornalistas investigativos no mundo do entretenimento e da mídia que cobre hard news teriam deixado de escrever sobre isso durante décadas.

O comportamento é indesculpável, mas o abuso de poder é familiar. Cada voz corajosa que se ergue, é ouvida e é identificada por nossa mídia vigilante vai acabar por mudar as regras do jogo.

Em um primeiro momento após as revelações – que incluíram denúncias de antigas funcionárias dele e de atrizes como Ashley Judd --, Weinstein foi suspenso por sua empresa, que leva seu nome. Na sexta-feira a repórter de TV Lauren Sivan contou ao HuffPost com exclusividade que Weinstein a encurralou em um restaurante fechado ao público e se masturbou diante dela.

Membros da comunidade do entretenimento estão sendo criticados por sua lentidão em reagir à crise desencadeada por Weinstein. No fim de semana o produtor executivo do programa "Saturday Night Live", Lorne Michaels, foi criticado por ter cortado do programa piadas que aludiam a Weinstein. O "New York Times" escreveu que várias piadas foram testadas no ensaio geral, mas que a plateia do estúdio não reagiu bem.

Michaels disse que cortou as piadas porque Harvey Weinstein é "uma coisa nova-iorquina", ou seja, porque achava que o público nacional não apreciaria as brincadeiras.

A maioria dos apresentadores de talk shows noturnos na TV americana, incluindo Jimmy Kimmel e Stephen Colbert, omitiu a notícia sobre Weinstein de seus programas na noite de quinta-feira. O apresentador de "The Daily Show", Trevor Noah, aludiu a Weinstein apenas de passagem na quinta-feira.

Weinstein era grande doador a candidatos democratas e causas liberais e foi convidado frequente à Casa Branca nos governos dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama. Alguns democratas que receberam doações dele estão prometendo doar o dinheiro a outras causas.

Algumas estrelas de Hollywood criticaram Weinstein publicamente, incluindo atrizes mais jovens como Lena Dunham e Amber Tamblyn. Mas alguns colaboradores de longa data do produtor, como Gwyneth Paltrow e Quentin Tarantino, permanecem em silêncio.

*Este artigo foi publicado originalmente no HuffPost US e traduzido do inglês.

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