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A campanha de Dove que trouxe novamente à tona o debate sobre racismo na publicidade

"Sinceramente e profundamente, pedimos desculpas pela ofensa que a peça causou."

09/10/2017 13:25 -03 | Atualizado 09/10/2017 17:31 -03

Racismo.

Essa foi a primeira conclusão que milhares de pessoas chegaram ao ver um breve vídeo veiculado por Dove em sua página no Facebook na última sexta-feira (6).

Nas imagens, já apagadas pela marca de cosméticos nos EUA, uma mulher negra aparece tirando sua camiseta marrom, transformando-se em outra mulher, de pele branca e cabelos ruivos. Na sequência, ela tira a camiseta e se converte numa outra mulher, com outro tom de pele.

A maquiadora norte-americana Naomi Blake usou seu Facebook para denunciar a campanha que pode ser interpretada como uma associação da pele negra à sujeira e da pele branca à limpeza.

"Estava navegando pelo Facebook e este anuncio da Dove me aparece", escreveu.

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O protesto da maquiadora teve mais de 10 mil compartilhamentos em menos de 24 horas.

A Dove respondeu Naomi afirmando que a intenção das imagens era mostrar que a loção apresenta benefícios para todos os tipos de pele.

No sábado (7), depois de apagar as fotos, a Dove postou um sucinto pedido de desculpas no Facebook.

"Dove está empenhada em representar a beleza da diversidade. Em uma imagem que publicamos nesta semana, erramos em representar mulheres negras de forma desrespeitoda e lamentamos profundamente a ofensa que isso causou. O feedback que foi compartilhado é importante para nós e nós o usaremos para nos orientar no futuro."

A campanha também foi muito criticada no Twitter.

O produtor de cinema Tariq Nasheed e o historiador Francois Soyer recordaram que já ocorreram no passado dos EUA casos de propagandas racistas com foco na venda de produtos de limpeza.

"Sejamos claros, Dove sabia exatamente o que estavam fazendo com seu anúncio racista. As empresas de sabão costumavam fazer esse tema racista o tempo todo."

"Contexto para o escândalo do anúncio Dove: há uma longa história de anúncios racistas usados para vender sabão no Ocidente."

Após a repercussão negativa da campanham a Dove também publicou um pedido de desculpas em seu perfil no Twitter.

"Uma imagem que publicamos recentemente no Facebook errou ao representar mulheres negras de forma desrespeitosa. Lamentamos profundamente a ofensa que isso causou."

Esta não é a primeira vez que uma das principais marcas de cosméticos do mundo é acusada de racismo em uma ação de marketing.

Em 2011, a marca lançou uma campanha na qual mostravam três mulheres com tons de pele diferentes sugerindo que - após uso de produto Dove - a pele escura se tornava mais clara.

No alto da cabeça da mulher negra aparecia a palavra "antes". Já no alto da cabeça da mulher branca estava escrito "depois".

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Quatro anos depois, em 2015, a marca lançou um produto que gerou indignação nos consumidores. Tratava-se de um bronzeador para peles "de normal a escuras".

Seriam peles brancas normais e as escuras anormais na visão dos publicitários e executivos que comandam os anúncios da marca? Essa foi o questionamento na época.

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Nesta segunda (9), a Dove enviou um comunicado à imprensa em que diz:

"Como parte da campanha de Dove Body Wash, um vídeo de 3 segundos foi postado no perfil do Facebook da marca nos Estados Unidos. Isso não representa a diversidade da real beleza pela qual Dove é apaixonada e que é essencial para nossas crenças e não deveria ter sido produzido. Removemos o post e não publicaremos nenhum outro conteúdo relacionado. Sinceramente e profundamente, pedimos desculpas pela ofensa que a peça causou e não toleramos nenhuma atividade ou imagem que insulte nossa audiência."