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O tom ameaçador de Trump sobre a Coreia do Norte e o orgulho nuclear de Kim Jong-un

"Só uma coisa funcionará".

08/10/2017 13:40 -03 | Atualizado 09/10/2017 12:51 -03
Reuters
"Só uma coisa funcionará" contra a Coreia do Norte, afirma Trump; do outro lado, Kim Jong-un se orgulha de ter um programa que ajuda a "defender sua soberania das ameaças dos Estados Unidos".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, escreveu nesse sábado (7) em seu Twitter, sobre as tentativas de diálogo no passado com a Coreia do Norte, garantindo que não há mais o que tratar com o regime de Kim Jong-un. Para isso, usou um tom ameaçador. Segundo ele, "só uma coisa funcionará".

"Presidentes e suas administrações estiveram conversando com a Coreia do Norte durante 25 anos. Os acordos firmados e a quantidade em massa de dinheiro pago não funcionaram", escreveu o presidente americano.

"Só uma coisa funcionará", afirmou o chefe de Estado, em seu perfil no Twitter, sem especificar qual a medida a ser adotada.

De acordo com Trump, os acordos com o regime do país asiático foram "violados antes que a tinta estivesse seca. Os negociadores dos EUA sempre foram enganados". Os comentários do presidente viralizaram e ele foi questionado, nas redes sociais, sobre o que pensa em fazer com a Coreia do Norte e acusado de fazer incitação à guerra pelas redes sociais.

(Trump consegue parar de provocar a guerra nas redes sociais?)

Os tuítes do presidente foram publicados dois dias depois de uma reunião com militares do alto escalão na Casa Branca, em que o presidente americano sugeriu que o momento atual é de "calmaria antes da tempestade".

Yuri Gripas / Reuters
O presidente Donald Trump participa de reunião líderes militares de alto escalão na Casa Branca em Washington, EUA, 5 de outubro de 2017.

Em setembro, Trump apostou na retórica dura, como resposta aos programas norte-coreanos de armas nucleares e mísseis balísticos, durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, ameaçando "destruir totalmente" o país asiático.

Em sua fala, presidente dos EUA chamou regime norte-coreano de depravado e pediu que comunidade internacional se esforce para isolar Coreia do Norte até que "comportamento hostil" acabe.

O presidente classifica como "perda de tempo" as tentativas do secretário de Estado, Rex Tillerson, de negociar com o regime norte-coreano. A Casa Branca garante que o único contato que pretende é para conseguir liberar três cidadãos americanos detidos no país.

Enquanto isso...

STR via Getty Images

Também neste sábado (7), o líder da Coreia do Norte, participou uma reunião do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, que abordou a situação do país e aprovou algumas nomeações de funcionários de alto escalão. As informações foram divulgadas pela agência estatal norte-coreana KCNA.

No evento, segundo a agência Reuters, Kim Jong-un se orgulhou de que seu país continue desenvolvendo o "valioso" programa nuclear "para defender sua soberania das ameaças dos Estados Unidos". Ele assegurou que a economia nacional está crescendo, apesar das sanções.

O líder norte-coreano assegurou que "a economia nacional cresceu este ano com grande força", apesar das duras sanções impostas pela comunidade internacional, em resposta ao programa nuclear e de mísseis do regime.

Durante a reunião do comitê, a irmã mais nova do líder norte-coreano, Kim Yo-jong, foi eleita entre os novos membros do comitê permanente do partido.

"As armas nucleares da República Popular Democrática da Coreia [nome oficial da Coreia do Norte] são um valioso fruto da sangrenta luta do seu povo para defender o destino e a soberania do país das prolongadas ameaças nucleares dos imperialistas americanos", disse o líder durante a reunião.

Kim Jong-un também declarou que a atual situação demonstra que foi "totalmente acertada" a política de apostar de maneira simultânea no desenvolvimento da economia e do arsenal nuclear. Ele pediu a continuidade, "de maneira invariável, por este caminho no futuro".

(Com informações da Agência ANSA e Agência Reuters)

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