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A enfermeira e o grupo de voluntários que devolveram um pouco de alegria a Janaúba

"Estamos juntos... Estamos em prece... Nossa homenagem, nossa canção... Nossa oração...".

07/10/2017 15:19 -03 | Atualizado 07/10/2017 15:50 -03

A tristeza, o luto e o desespero tomaram conta de Janaúba, no Norte de Minas Gerais, desde a última quinta-feira (5), quando o vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos, incendiou a creche em que trabalhava. Entre as vítimas está uma professora, oito crianças e o próprio Damião.

Mas a solidariedade foi capaz de levar um pouco de alegria. Dez integrantes da Cia PalhaçaRIA levaram conforto para os parentes de vítimas do incêndio da creche Gente Inocente, em Janaúba que estão internadas no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em Belo Horizonte, neste sábado (7).

"Estamos juntos... Estamos em prece... Nossa homenagem, nossa canção... Nossa oração...", escreveu o grupo ao publicar uma foto da visita no Facebook.

12 crianças e 2 mulheres ainda seguem internadas em hospitais da capital mineira. Segundo o jornal O Estado de Minas, no Hospital João XXIII há 2 mulheres e 9 crianças em estado grave; já no Hospital Odilon Behrens são 3 crianças até o momento.

A enfermeira Letícia Mendes trocou o jaleco pela roupa de palhaço para dar alta para as crianças que ainda estavam internadas no hospital Fundajan (Fundação de Assistência Social de Janaúba) por terem inalado muita fumaça do incêndio. 14 crianças internadas no hospital receberam alta médica neste sábado (7).

A recomendação para as famílias é voltar ao hospital caso os pacientes sintam falta de ar, muita sonolência, vômitos constantes, tonteiras e dor de cabeça, tosse e sangramento nasal.

Segundo o jornal O Tempo, Letícia cuidou de uma das vítimas, Yasmin Salvino. Ela estava de folga hoje, mas não quis perder o momento da alta hospitalar de outros pacientes. Ela disse ao jornal:

Trouxemos balões e brinquedos. Meu coração está quebrado. Aqui a gente ri, mas em casa é muito difícil, a gente está fazendo da tristeza força para prestar essa assistência.

As portas do hospital Fundajan também foram abertas à solidariedade e cidadãos que estão distribuindo brinquedos, fraldas e outros presentes a familiares das vítimas e de pacientes que ainda seguem em internação.

"Não sabemos o que pode acontecer depois, por causa do trauma, mas pelo menos por agora a situação deu amenizada para eles", disse a enfermeira Flávia Romana Soares ao Estados de Minas.

Entenda o caso

LINCON ZARBIETTI via Getty Images
Morreram Renan, Ana Clara, Luiz Davi, Juan Pablo, Juan Miguel, Cecília Davina, Yasmin Medeiros e Thallyta Bispo.

Crianças foram o principal alvo do vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos. Na manhã da última quinta-feira (5), o funcionário da creche Gente Inocente ateou fogo em meninos e meninas de dois a seis anos de idade.

Morreram Renan, Ana Clara, Luiz Davi, Juan Pablo, Juan Miguel, Cecília Davina, Yasmin Medeiros e Thallyta Bispo. A professora Helley Abreu também não resistiu aos ferimentos que atingiram 90% do seu corpo. O próprio Damião morreu vítima das queimaduras que provocou em si.

A cidade de pouco mais de 71 mil habitantes ficou em pânico com o incêndio criminoso:

"Eu nunca vi uma guerra, mas a situação aqui parece ser igual; é catastrófica", resumiu o prefeito de Janaúba, Carlos Mendes (PSDB), ao jornal O Tempo.

Funcionário da prefeitura, Damião estava afastado do trabalho desde o mês passado. Ele teria ido à creche entregar o atestado médico. Disse que iria distribuir picolés para os pequenos e se dirigiu à sala de aula, onde jogou gasolina nele próprio. Depois começou a abraçar as crianças e usou um isqueiro.

Familiares de Damião informaram à polícia que havia "sinais de loucura" nele há no mínimo três anos. O vigia tinha mania de perseguição e achava que seria envenenado pela mãe. As postagens mais recentes dele no Facebook tratam justamente de envenenamento — por restaurantes e padarais.

Para o delegado regional de Janaúba, Bruno Fernandes Barbosa, o vigilante pode ter tido um surto psicótico. "Na casa, encontramos redações feitas por ele, falando do Estatuto da Criança e do Adolescente, textos aleatórios sobre infância e um CD com fotos de crianças brincando, tomando sorvete."

Entretanto, a investigação mostra que a princípio o crime foi premeditado. Foi decretado luto oficial em Janaúba por sete dias.

Neste sábado (7), o Ministério Público de Minas Gerais instaurou três inquéritos para investigar o incêndio. O MP vai apurar se o vigia era portador de alguma doença ou transtorno mental, que lhe tornava não recomendado para o exercício da função e se houve alguma falha do poder público quanto à avaliação e tratamento.

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Tragédia em Janaúba