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8 crianças, 1 professora, 1 vigia: A tragédia em creche de Janaúba faz mais uma vítima

Total de mortos subiu para 10.

07/10/2017 14:14 -03 | Atualizado 07/10/2017 17:41 -03
ALEX DE JESUS via Getty Images
"Eu nunca vi uma guerra, mas a situação aqui parece ser igual; é catastrófica", resumiu o prefeito de Janaúba, Carlos Mendes (PSDB), ao jornal O Tempo.

Thallyta Vitória B. de Oliveira Barros, de 4 anos, morreu na manhã deste sábado (7). Ela é a oitava criança vítima da tragédia que ocorreu na creche Centro Municipal de Educação Infantil Gente Inocente, na cidade mineira de Janaúba na quinta-feira (5).

Com a morte de Thallyta, que estava internada no Hospital João XXIII em Belo Horizonte, sobe para 10 o número mortos no ataque: entre as vítimas estão oito crianças, uma professora e o autor do atentado.

Segundo o G1, Thallyta estava com queimaduras nas vias áreas e chegou a ser transferida na manhã de hoje da Santa Casa de Montes Claros para o Hospital João XXIII, na capital mineira, referência em queimaduras no estado. De acordo com informações do jornal O Tempo, Matheus Felipe Rocha Santos, de 5 anos, também foi transferido de Montes Claros para Belo Horizonte em estado grave.

Doze crianças e duas mulheres ainda seguem internadas em hospitais da capital mineira. Segundo o jornal O Estado de Minas, no Hospital João XXIII há duas mulheres, de 23 e 51 anos, que respiram por aparelhos e nove crianças em estado grave; já no hospital Odilon Behrens três crianças continuam internadas.

Já na manhã deste sábado (7), as 14 crianças que estavam internadas na Fundação de Assistência Social de Janaúba (Fundajan) receberam alta médica. As crianças e seus familiares deixaram o hospital e foram para cada com uma van disponibilizada pela prefeitura, informa a Folha de S. Paulo.

No momento da alta, segundo o Estado de Minas, cidadãos distribuíram brinquedos, fraldas e outros presentes às crianças nos corredores do hospital. A recomendação para as famílias é voltar ao hospital caso os pacientes sintam falta de ar, muita sonolência, vômitos constantes, tonteiras e dor de cabeça, tosse e sangramento nasal.

Entenda o caso

LINCON ZARBIETTI via Getty Images
Morreram Renan, Ana Clara, Luiz Davi, Juan Pablo, Juan Miguel, Cecília Davina, Yasmin Medeiros e Thallyta Bispo.

Crianças foram o principal alvo do vigia Damião Soares dos Santos, de 50 anos. Na manhã da última quinta-feira (5), o funcionário da creche Gente Inocente ateou fogo em meninos e meninas de dois a seis anos de idade.

Morreram Renan, Ana Clara, Luiz Davi, Juan Pablo, Juan Miguel, Cecília Davina, Yasmin Medeiros e Thallyta Bispo. A professora Helley Abreu também não resistiu aos ferimentos que atingiram 90% do seu corpo. O próprio Damião morreu vítima das queimaduras que provocou em si.

A cidade de pouco mais de 71 mil habitantes ficou em pânico com o incêndio criminoso:

"Eu nunca vi uma guerra, mas a situação aqui parece ser igual; é catastrófica", resumiu o prefeito de Janaúba, Carlos Mendes (PSDB), ao jornal O Tempo.

Funcionário da prefeitura, Damião estava afastado do trabalho desde o mês passado. Ele teria ido à creche entregar o atestado médico. Disse que iria distribuir picolés para os pequenos e se dirigiu à sala de aula, onde jogou gasolina nele próprio. Depois começou a abraçar as crianças e usou um isqueiro.

Familiares de Damião informaram à polícia que havia "sinais de loucura" nele há no mínimo três anos. O vigia tinha mania de perseguição e achava que seria envenenado pela mãe. As postagens mais recentes dele no Facebook tratam justamente de envenenamento — por restaurantes e padarias.

Para o delegado regional de Janaúba, Bruno Fernandes Barbosa, o vigilante pode ter tido um surto psicótico. "Na casa, encontramos redações feitas por ele, falando do Estatuto da Criança e do Adolescente, textos aleatórios sobre infância e um CD com fotos de crianças brincando, tomando sorvete."

Entretanto, a investigação mostra que a princípio o crime foi premeditado. Foi decretado luto oficial em Janaúba por sete dias.

Neste sábado (7), o Ministério Público de Minas Gerais instaurou três inquéritos para investigar o incêndio. O MP vai apurar se o vigia era portador de alguma doença ou transtorno mental, que lhe tornava não recomendado para o exercício da função e se houve alguma falha do poder público quanto à avaliação e tratamento.

Tragédia em Janaúba