MULHERES

O 'Atlas da Beleza' que celebra a diversidade das mulheres ao redor do mundo

“A beleza não deve ter uma definição.”

06/10/2017 19:52 -03 | Atualizado 06/10/2017 19:52 -03

Quando o assunto é beleza, muitas vezes nos defrontamos com uma atitude do tipo "tamanho único": branca, jovem, esbelta, sem qualquer deficiência física e cisgênero.

A fotógrafa Mihael Noroc propõe uma quebra vitalizante dessa praxe desgastada, festejando a beleza diversificada de mulheres de todo o mundo em seu projeto fotográfico "The Atlas Of Beauty".

Lançado online em 2013, o projeto se popularizou e conquistou milhões de fãs no Facebook e Instagram. Agora as imagens foram encadernadas em um livro de formato grande e capa dura contendo 500 retratos, muitos dos quais estão sendo vistos pela primeira vez.

Mihaela Noroc
Havana, Cuba, por Mihaela Noroc.

O "Atlas da Beleza" é maravilhosamente inclusivo: traz mulheres de todas as idades, etnias, religiões, sexualidades, identidades de gênero e mulheres com deficiências.

Não constitui surpresa, portanto, saber que Noroc não se pauta pelas noções tradicionais de beleza feminina.

"Acho que a beleza não deve ter uma definição", ela fala ao HuffPost UK. "Para mim, beleza tem a ver com ser você mesma, natural e autêntica. A beleza está em nossas diferenças. Precisamos apenas abrir os olhos e enxergá-la."

Mihaela Noroc
Família síria, por Mihaela Noroc.

Depois de passar os últimos anos percorrendo o mundo e fotografando mulheres, Noroc percebeu que a beleza é muito mais do que aquilo que vemos na grande mídia, e ela quis destacar essa beleza.

"Se você digitar as palavras 'mulher bonita' no Google, verá principalmente imagens muito semelhantes de mulheres sedutoras. Mas nas ruas do mundo a beleza tem muito mais facetas, e eu adoro captá-las", ela explica.

Para a fotógrafa, captar a beleza dessa maneira não é uma questão meramente estética, mas é crucial para moldar nosso modo de enxergar outras culturas e comunidades.

"Vivemos em tempos de ódio e intolerância, então foi importante para mim poder transmitir uma mensagem sobre amor e diversidade", ela explicou. "No livro, criei muitas justaposições contrastantes para mostrar que, embora sejamos taão diferentes, todas fazemos parte da mesma família bela. A beleza não tem fronteiras; a gentileza e a tolerância também não devem ter."

Mihaela Noroc
Autorretrato, por Mihaela Noroc.

Para encontrar as pessoas que vai fotografar, Noroc geralmente aborda mulheres na rua. Mas ela também é procurada por pessoas nas redes sociais com sugestões de mulheres a serem fotografadas.

Quando pedimos que ela defina o que torna uma pessoa um bom tema para uma foto, Noroc explica que a escolha das mulheres é um processo em grande parte instintivo.

"Caminho quase continuamente por ruas em todo o mundo. Em todos esses lugares lotados de gente, não há muito tempo para pensar. Tudo é instintivo, como quando você está dirigindo um carro", ela explica. "A grande diferença é que, com a fotografia, além do instinto, você coloca muita alma no processo."

Um exemplo perfeito disso foi a mulher que estampa a capa do livro (abaixo). Noroc estava andando nas margens do rio Ganga, em Varanasi, na Índia. É um lugar considerado sagrado no hinduísmo e que recebe milhares de fiéis todos os dias.

Uma mulher jovem que se preparava para fazer uma oferenda chamou a atenção da fotógrafa.

Capa de

"A expressão serena dela parecia algo de outro mundo, e a luz matinal era perfeita. Fiquei tão fascinada por esse momento mágico que entrei no rio e até esqueci que meu telefone estava no meu bolso. Em momentos atemporais como aquele, os objetos perdem a importância. Pedi a permissão dela para fazer a foto e depois a deixei continuar com o ritual."

"Geralmente procuro passar mais tempo com as mulheres que clico. Faço algumas fotos e ouço as histórias delas. Mas dessa vez não tive a oportunidade, então passamos apenas alguns segundos juntas."

Muitas mulheres gostam de ser abordadas para participar do projeto, mas Noroc diz que há mulheres que não se deixam fotografar.

"Meu convite foi rejeitado por mulheres que vivem em ambientes conservadores, preocupadas com o que outros membros de suas comunidades pudessem dizer sobre o fato de elas serem fotografadas. Também por mulheres que viviam em lugares perigosos, onde elas não se sentiam em segurança.

"Essas rejeições me mostraram que muitas mulheres no mundo sentem muita pressão. Isso me convenceu mais ainda que nosso mundo realmente precisa de um 'Atlas da Beleza' para representar as lutas e os sonhos de mulheres de todo o mundo."

Encomende o livro aqui pelo site The Atlas of Beauty (foi lançado em 28 de setembro de 2017).

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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