MULHERES

Estas mulheres escolheram revelar ao mundo as cicatrizes de suas mastectomias

“Ainda somos sexy e lindas.”

07/10/2017 10:04 -03 | Atualizado 07/10/2017 10:04 -03
Ami Barwell
Debbie, de Droitwich Spa, Worcesteshire, uma das mulheres fotografadas para o projeto.

Mulheres diagnosticadas com câncer de mama participaram de um ensaio fotográfico, revelando ao mundo as cicatrizes de suas mastectomias.

Os retratos, parte da campanha Stand Up To Cancer (enfrente o câncer, em tradução livre), mostra uma série de mulheres, muitas das quais superaram a baixa autoestima e a imagem negativa em relação a seus corpos para se despir diante das lentes.

Algumas delas ainda estão em tratamento e algumas foram curadas, mas todas concordam: não vão deixar a doença se sobrepor à sua confiança.

A fotógrafa britânica Ami Barnwell, 39, autora do projeto, disse: "Queria realizar esse projeto para gerar conscientização e mostrar a coragem das mulheres, que se mantêm igualmente lindas sem seios".

"As fotos mostram que, apesar do que passaram, elas são empoderadas. São fortes e, sobretudo, felizes."

A série foi lançada para marcar o começo de outubro, Mês da Conscientização do Câncer de Mama no mundo todo. Participam mulheres como Gillian Trim, 55, de Londres (na foto abaixo), que foi diagnosticada com câncer de mama em 2015 e passou por uma dupla mastectomia.

Ami Barwell
Gillian, de Londres.

Gillian Trim, 55, Londres

"Quero mostrar a essas mulheres que passam pela jornada do câncer que é possível, não é fácil, mas com tempo e aceitação você pode superá-la. Ainda somos sexy e lindas. Também é algo que queria ter feito, uma foto para celebrar minha jornada e ter como uma lembrança de como fui forte."

Ami Barwell
Joanna, de Newcastle upon Tyne.

Joanna Reynolds, 46, Newcastle upon Tyne

"Mulheres que conheço pessoal e profissionalmente têm dificuldade com a imagem do corpo depois de passar por cirurgias e tratamentos de câncer de mama. Queria mostrar que as mulheres ainda podem celebrar seus corpos depois do câncer."

Ami Barwell
Caroline , de Brancaster, Norfolk.

Caroline Harper, 59, Norfolk

"Quero que outras mulheres saibam que cirurgia reconstrutiva não é a única opção e adoro a liberdade de ser lisa."

Ami Barwell
Mel, de Merseyside.

Mel Johnston, 46, Merseyside

Em 2014, Mel foi diagnosticada com câncer de mama, e a doença tinha se espalhado para seus nódulos linfáticos. Ela passou por quimioterapia e foi submetida a cirurgia, mas, no ano passado, os médicos descobriram que o câncer também tinha atingido seu pulmão e agora é incurável.

Ela disse: "Tenho muito orgulho de ser parte deste projeto. O Stand Up To Cancer é mostrar os dedos médios para o câncer, e acho que Amy capturou isso lindamente."

"Queria me envolver porque, quando se trata de novas experiências, a palavra 'não' não está mais no meu vocabulário. Desde que fui diagnosticada, quero aproveitar todas as oportunidades e realmente viver a vida ao máximo. Mas também quero desmistificar as cicatrizes da mastectomia. Ainda sou mulher e queria mostrar que os seios não definem minha sexualidade ou meu gênero. Ainda sou eu mesma, apesar de parte do meu corpo estar faltando."

Ami Barwell

Clare, 48, North Lincolnshire

"Queria me envolver para ajudar a gerar conscientização para a doença e para mostrar que viver lisa é uma escolha positiva."

Ami Barwell
Lucy, de Wakefield, West Yorkshire.

Lucy Verinder, 44, Wakefield

"Este projeto mostra para as mulheres que o mundo não acaba porque você tem de tirar um seio (ou os dois) – a vida continua."

Ami Barwell
Debbie, de York.

Debbie Barron, 46, York

"Nunca usei minhas próteses, elas nunca pareceram servir direito. Estava de férias com minha família quando vi as fotos pela primeira vez. Foi profundamente emocionante. Estava preocupada que não gostaria das imagens – raramente gosto de fotos minhas. Pelo contrário: amei as fotos de Ami. Pela primeira vez desde o tratamento, me senti feminina e atraente. Antes de ver as imagens, lutava comigo mesma para colocar maiô. Mas as fotos me deram o empurrão que eu precisava para me ver de outra maneira. Para deleite das crianças, entrei na água com elas o resto das férias inteiras."

Ami Barwell
Fiona, de Northampton.

Fiona O'Donnell, 44, Northampton

"Me sinto tão orgulhosa das fotos. Se tiver salvado somente uma vida tendo participado do projeto, terá sido uma conquista."

Ami Barwell
Sharon, de Bath.

Sharon Brunt, 46, Bath

"Acho que todos queremos nos sentir úteis e, apesar de o câncer ter sido horrível para mim e para as pessoas próximas, é muito boa a sensação de ter a oportunidade de fazer algo positivo com a experiência."

Ami Barwell
Debbie, de Droitwich Spa, Worcestershire.

Deborah Williams, 53, Worcestershire

"Compartilhando as fotos publicamente espero que aumente a conscientização sobre o câncer de mama e que, apesar das cicatrizes, ainda sejamos mulheres bonitas. Me senti empoderada e pensei para mim mesma: 'Isso não é algo que dê medo ou vergonha, mas sim algo a comemorar!"

A Stand Up to Cancer vai levantar recursos durante todo o mês de outubro. Até agora, a entidade financiou estudos para o desenvolvimento de remédios para evitar que as células cancerígenas "mudem de forma" e se espalhem, usando um exame de sangue simples para descobrir as franquezas de cada doença individualmente e buscando tratamentos específicos. Além disso, a entidade também financiou testes com um novo remédio que pode impedir a volta do câncer de mama em pacientes já curadas, e também o uso de inteligência artificial para analisar o estágio de desenvolvimento do câncer.

Rachel Carr, presidente da Stand Up To Cancer, afirmou: "Estamos honrados de compartilhar esse projeto incrível, que mostra mulheres inspiradoras. E estamos gratas a todas elas por sua participação. As imagens de Ami são poderosas e capturam perfeitamente a força e a coragem dessas mulheres."

"Obtivemos progressos incríveis contra o câncer nas últimas décadas, mas sabemos que uma em cada duas pessoas será diagnosticada com a doença em sua vida, então não podemos nos dar ao luxo de desacelerar. Esperamos que essas imagens inspirem o país a se juntar à rebelião e a ajudar a custear nossas pesquisas, para que possamos salvar mais vidas, mais rápido", finaliza.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

Elas sobreviveram ao câncer de mama