POLÍTICA

Apoio ao autoritarismo no Brasil é 8,1 em escala de 0 a 10

“Ou modernizamos discursos políticos ou estamos correndo riscos de vermos retrocessos reais”, alerta Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

06/10/2017 15:14 -03 | Atualizado 06/10/2017 15:14 -03
Bruno Kelly / Reuters
Exército ocupa cidade do Rio de Janeiro em crise de segurança.

O medo da violência no dia a dia leva os brasileiros a apoiarem postura autoritária. Essa é a conclusão do estudo "Medo da Violência e Autoritarismo no Brasil", publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), a partir de pesquisa encomendada ao instituto Datafolha.

De acordo com a entidade, em uma escala de zero a dez, a sociedade brasileira atinge o índice de 8,1 na propensão a endossar posições autoritárias. O índice fica em 7,88 para quem tem menos medo da violência e sobe para 8,24 entre os que têm mais medo.

A tendência é mais acentuada entre os menos escolarizados, os de menor renda, os mais velhos, os pardos, aqueles que habitam municípios menos populosos e os que vivem no Nordeste. Quanto à idade, a faixa de 16 a 24 é mais inclinada ao autoritarismo do que as duas subsequentes (25 a 34 e 35 a 44 anos).

O índice foi calculado de acordo com o grau de concordância dos entrevistados com 17 enunciados. Foram 2.087 entrevistados em uma amostra representativa da população com 16 anos ou mais, em 130 municípios, entre os dias 7 e 11 de março deste ano.

Os enunciados foram divididos em três áreas: convencionalismo ficou com índice 7,36; submissão a autoridades com 8,08 e agressividade autoritária 6,50.

De acordo com a sondagem, 69% concorda com a afirmação "o que este país necessita, principalmente, antes de leis ou planos políticos, é de alguns líderes valentes, incansáveis e dedicados em quem o povo possa depositar a sua fé".

Segundo pesquisa Datafolha mais recente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 36% das intenções de voto para presidente da República, seguido pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), com 16%.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Datafolha

Gênero

De acordo com o estudo, no Índice de Propensão ao apoio à Agenda de Direitos Civis, Humanos e Sociais,ser do sexo masculino parece indicar para um menor apoio à agenda de direitos das pessoas homossexuais.

Na frase "Um casal do mesmo sexo pode adotar e criar filhos tão bem quanto um casal composto por um homem e uma mulher", a média geral de concordância foi de 61% e, no caso dos homens, de 55%.

Em relação à frase "Não há vergonha nenhuma em ter filhos(as) assumidamente homossexuais" os homens concordaram 66% frente a uma média geral de 72%.

Fórum Brasileiro de Segurança Pública/Datafolha

Cidadania x autoritarismo

O estudo conclui que "todos os espectros políticos e ideológicos no país têm errado, a nosso ver, em reduzir a prevenção à violência e o combate à criminalidade como uma pauta exclusivamente policial e afeita à esfera penal e de controle da ordem pública".

De acordo com o documento, a influência autoritária coabita com a existência de uma tendência de defesa dos direitos civis, sociais e humanos também presente no debate público. O estudo destaca, contudo, que a agenda de direitos não encontra eco nas classes mais ricas.

Os autores da pesquisa destacam o risco de o País flertar com a deslegitimação das instituições democráticas e propõe inovação na redução da violência e do medo com foco na investigação eficaz do crime, punição adequada e célere de seus autores e ao mesmo tempo valorização profissional e a garantia da cidadania a todas e todos.

Ou modernizamos discursos políticos e nos mobilizamos em torno do tema da segurança pública em uma perspectiva democrática e de reconhecimento do Brasil como uma sociedade plural e multicultural, ou estamos correndo riscos de vermos retrocessos reais em termos de desenho e implementação de políticas de segurança pública e garantia da cidadania, independente do fato de as atuais políticas já não darem conta dos desafios existentes. O que já é grave, pode ficar ainda mais e pior.

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