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Por que relator tucano da 2ª denúncia contra Temer racha PSDB e acirra tensões

Deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) votou a favor do peemedebista na 1ª denúncia em agosto.

04/10/2017 08:09 -03 | Atualizado 04/10/2017 08:23 -03
Reprodução/Câmara dos Deputados
A escolha do relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer tem causado constrangimento na CCJ.

A escolha do relator da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer tem causado constrangimento na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O nome do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) tem dividido os políticos do partido, que se reuniram nesta terça-feira (3) para tratar da decisão. Apesar do desconforto do PSDB e da oposição ao relator da denúncia contra Temer, o presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), defende a manutenção de Bonifácio de Andrada na relatoria.

Foi ele quem nomeou o tucano para o cargo na semana passada. Na primeira denúncia, a escolha de Pacheco pelo deputado Sérgio Zveiter, então do PMDB do Rio de Janeiro, foi desfavorável para Temer, uma vez que o relator votou a favor do prosseguimento das investigações.

O mal-estar se dá, sobretudo, pela indecisão do PSDB em tomar uma posição aberta em relação ao futuro de Temer. Mesmo com a sigla em cima do muro, o deputado da ala governista declarou abertamente o seu apoio ao presidente na última votação.

Para o líder do PSDB na Câmara, Ricardo Tripoli (SP), o relator deveria deixar a posição.

"Pedi a interlocutores que fizessem mais uma tentativa. Vou insistir até o último minuto para que ele entenda o que está acontecendo. Se ele resolver voltar atrás, ótimo. Acho muito bom", defendeu Tripoli em entrevista à Folha.

Apesar de forte pressão por sua saída, Andrada mantém o discurso de que nunca aspirou à relatoria, mas que "recebeu a função como um trabalho".

Para os deputados do PSDB opositores ao governo Temer, a permanência de Bonifácio de Andrada retira qualquer possibilidade de uma "análise jurídica da denúncia."

Na interpretação de Betinho Gomes (PSDB-PE), coordenador da bancada do PSDB na CCJ, o relator tem uma posição pré-definida em relação ao tema e a sua escolha é uma tentativa do governo de influenciar na votação na bancada.

Tal tese é defendida pelos parlamentares contrários ao governo de Michel Temer, como Chico Alencar (PSOL-RJ).

"Ele [relator] manifestou algumas opiniões que me fazem temer pela sua isenção nesse procedimento de relatar uma denúncia que, para nós, é muito substantiva e grave", afirmou Alencar em reunião da CCJ nesta terça-feira (3).

Por outro lado, os políticos da ala governista alegam que é um erro questionar a imparcialidade do relator.

"Ficaria muito ruim para a Comissão de Constituição e Justiça apresentar uma suspeição sobre alguém que não a motivou", defende o deputado Danilo Forte (PSB-CE).

Nesta denúncia, Temer é acusado de organização criminosa e obstrução à Justiça. Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral) também respondem por organização criminosa.

A escolha do relator agradou ao Palácio do Planalto. Será responsabilidade de Bonifácio elaborar um parecer a favor ou contra o prosseguimento da acusação contra o presidente. Após a votação na CCJ, o parecer seguirá para o plenário da Câmara.

A previsão de Pacheco é de que o parecer de Andrada seja votado no colegiado na semana após o feriado de 12 de outubro. Em seguida, o texto vai para plenário, onde são necessários 342 votos para afastar o presidente.

Protestos contra Michel Temer