NOTÍCIAS

'Só se for no fundo do mar', diz Crivella sobre exposição 'Queermuseu' chegar ao Rio

Decisão de mostra que foi suspensa em Porto Alegre não depende do prefeito, mas sim do Conselho do MAR (Museu de Arte do Rio).

03/10/2017 10:03 -03 | Atualizado 04/10/2017 00:11 -03
Divulgação
"Saiu no jornal que [a mostra] ia ser no MAR, só se for no fundo do mar", afirmou o prefeito.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB-RJ), divulgou um vídeo em suas redes sociais dizendo que não vai admitir a ida da mostra Queermuseu ao MAR (Museu de Arte do Rio). Em Porto Alegre, o Santander Cultural cancelou a exposição após ela ser alvo de diversos protestos.

"Saiu no jornal que [a mostra] ia ser no MAR, só se for no fundo do mar", afirmou o prefeito. O início do vídeo traz diversas pessoas rejeitando a exposição, alegando que elas não querem no Rio de Janeiro uma "exposição de pedofilia e zoofilia".

"Não é legal estimular uma criança a tocar em um homem nu em 'nome da arte'. É preciso respeitar a família, vamos cuidar das nossas crianças", continua Crivella.

Assista ao vídeo:

Apesar do protesto do prefeito do Rio, não cabe a ele decidir se a mostra virá ou não para o MAR. Conforme informou o curador e diretor cultural do MAR, Evandro Salles, ao jornal O Globo, a negociação de trazer a exposição continua e isso depende apenas da aprovação do conselho do museu, formado por nove integrantes. O conselho vai se reunir ainda nesta semana para tratar do assunto.

Salles ressalta que o prefeito confundiu em seu vídeo duas exposições completamente diferentes: a "Queermuseu", que estava em Porto Alegre, e a exposição "La Bête", performance realizada no Museu de Arte Moderna (MAM).

O curador ainda ressaltou ao Globo:

Museu nenhum do Brasil ou do mundo faria qualquer ação para estimular pedofilia e zoofilia, precisamos ter cuidado com as interpretações distorcidas e com o uso político dessas polêmicas.

Polêmica

A mostra "Queermuseu - Cartografias da Diferença da Arte Brasileira" foi interrompida no dia 10 de setembro após protestos de grupos conservadores e páginas do Facebook como a do MBL (Movimento Brasil Livre). Segundo eles, a exposição mostrava obras que remetiam à pedofilia e zoofilia.

O Ministério Público Federal analisou a mostra e chegou à conclusão de que não havia qualquer indício de apologia à pedofilia. Ainda recomendou na última quinta-feira (28) que o Santander Cultural continuasse com a exposição até o dia 8 de outubro, data original em que ela terminaria.

Segundo o MPF, o encerramento precoce da exposição é prejudicial à liberdade de expressão artística e comparou o fechamento à destruição de obras na Alemanha durante o nazismo.

ATUALIZAÇÃO: No início da noite desta terça-feira (3), o Museu de Arte do Rio cancelou as negociações para realizar exposição 'Queermuseu' na cidade. Decisão ocorreu depois que prefeito Marcelo Crivella se manifestou contra a mostra cancelada no Rio Grande do Sul. "Lamentamos o modo como este debate tem sido inflamado por intensas polêmicas, que levaram a Prefeitura do Rio de Janeiro, por ser este um museu de sua rede municipal de equipamentos culturais, a solicitar a não realização de Queermuseu - cartografias da diferença na arte brasileira no MAR", diz parte do texto divulgado.

10 gays assumidos que já ganharam Osc