MUNDO

O luto de Las Vegas por um dia que não deveria ter acontecido

Centenas participam de vigília à luz de velas em homenagem às vítimas do massacre.

03/10/2017 19:19 -03 | Atualizado 03/10/2017 19:19 -03
Martin S. Fuentes for HuffPost
Participantes da vigília à luz de velas no norte da Las Vegas Strip, na frente do hotel e cassino SLS, 2 de outubro de 2017.

LAS VEGAS – Centenas de pessoas se reuniram na noite de segunda-feira em vigílias para lembrar as dezenas de pessoas brutalmente assassinadas no dia anterior, no que deveria ter sido um final de semana de festa na icônica Las Vegas Strip.

Cerca de 22 000 pessoas estavam assistindo a um show do cantor de música country Jason Aldean no encerramento do festival Route 91 Harvest Festival, na noite de domingo, quando Stephen Craig Paddock, 64, abriu fogo contra a multidão de um quarto de hotel no 32º andar do Mandalay Bay Hotel. Em um período de 10 a 15 minutos, Paddock matou pelo menos 59 pessoas.

Na frente da prefeitura, moradores de Las Vegas acenderam 59 velas e cantaram canções tristes de solidariedade e resiliência. Cerca de uma hora depois, na Strip, centenas de pessoas fizeram uma vigília à luz de velas.

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Moradores de Las Vegas acendem velas perto de onde ocorreu o massacre.

(Participantes da vigília cantam em homenagem às vítimas na frente da prefeitura)

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Participantes da vigília em homenagem às vítimas do massacre.

"Todos dessa comunidade estão tocados pela perda dessas vidas e pelo horror do ser humano horrível, doente mental que tomou a devastação em suas mãos e a estampou em nossas mentes para sempre, em um dia que não faz parte da nossa cidade incrível e maravilhosa", disse a prefeita da cidade, Carolyn Goodman, na sede da prefeitura. "Sabemos que temos resiliência para seguir adiante."

(A prefeita de Las Vegas fala diante da prefeitura, depois do ataque.)

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As pessoas se confortam durante a vigília.

Ainda não está claro por que Paddock levou até 20 armas de fogo, incluindo rifles automáticos do estilo AR-15 e AK-47, para um quarto de hotel no Mandalay Bay. Segundo seus parentes, o contador aposentado vivia bem e "não tinha afiliações religiosas nem políticas", tampouco tinha histórico de doenças mentais. "Estamos completamente confusos", disse Eric, seu irmão, ao jornal Orlando Sentinel. "Não conseguimos entender o que aconteceu."

No domingo à noite, enquanto Paddock despejava balas na multidão e milhares de pessoas fugiam em desespero, uma equipe das forças especiais evacuou os hóspedes do andar do atirador e invadiram seu quarto. Ele aparentemente cometeu suicídio.

Os sobreviventes descrevem cenas de caos, tentando evitar os disparos em um campo aberto, sem saber de onde vinham as balas ou se havia mais de um atirador.

Brent Poppen, de Paso Robles, Califórnia, disse ter ouvido "dois estampidos, as luzes do palco apagaram por alguns segundos... aí, em alguns segundos você ouvia a arma automática. Foi isso o que fez todo mundo perceber o que estava acontecendo. O mundo parou por um minuto, ou o que pareceu um minuto. E depois foi pura histeria coletiva."

"Não tinha ideia nem pensei por um segundo sequer que um atirador estava na janela do quarto, atirando na gente como alvos imóveis naquele espaço aberto, sem ter para onde fugir", disse Brando Klemme Quan, que viajou da cidade de Rossmoor, na Califórnia, para o festival.

"Só lembro dos rostos das pessoas que estavam caídas, sem vida", disse Shauna Vasquez. "Foi horrível."

(Loucura... isso ACABOU de acontecer.)

Entre os que não conseguiram escapar das balas estava Sonny Melton, um enfermeiro de 29 anos que morreu protegendo a mulher. "Ele me agarrou por trás e começou a correr, quando senti que ele fora atingido nas costas", disse Gulish Melton ao USA Today.

Denise Burditus, de Martinsburg, Virgínia Ocidental, morreu nos braços do marido, Tony. "Me entristece dizer que perdi minha mulher de 32 anos, mãe de dois filhos, prestes a ser avó de cinco, no atentado desta noite em Las Vegas", escreveu.

Amigos descreveram Charleston Hartfield, veterano militar e policial de Las Vegas de 34 anos morto no ataque, como o americano "mais verdadeiro que já conheci".

Mike Blake/Reuters
Fita da polícia isola a região em torno dos hoteis e cassinos Luxor Las Vegas e Mandalay Bay Resort.

A polícia estima que vai demorar algum tempo até que sejam identificados todos os mortos e feridos no ataque. Enquanto isso, as autoridades criaram uma linha telefônica especial para que famílias encontrem seus parentes.

Horas depois da tragédia, o cassino Mandalay Bay estava silencioso, oferecendo poucos sinais dos horrores que haviam ocorrido na noite anterior.

Em meio a forte segurança, crupiês e funcionários estavam se esforçando para melhorar o clima de tensão.

Os bares do salão principal do cassino serviam drinks para aqueles que ainda esperavam apostar. De vez em quando, ouviam-se aplausos pelo salão.

Do lado de fora, na Las Vegas Strip, um volume de turistas menor que o normal caminhava pelas calçadas, lojas e hoteis. A vida continuava em Las Vegas.

(Voluntários – um grupo de motociclistas da região – descarregam água, refrigerantes e gelo para a vigília na Las Vegas Strip.)

Enquanto a cidade tentava lidar com o tamanho do ataque, equipes de primeiros socorros e moradores se uniam para ajudar as vítimas e suas famílias.

Cinco hospitais de Las Vegas trataram centenas de vítimas no domingo à noite e na madrugada de segunda, convocando centenas de médicos e enfermeiros extras para lidar com o grande número de feridos. Pelo menos uma sobrevivente do ataque voltou ao lugar do crime para ajudar a transportar vítimas para o hospital.

"Percebemos que havia gente precisando de ajuda por toda parte", disse à ABC News. "As pessoas viram que tínhamos uma camionete, então dissemos: 'OK, tudo bem' e começamos a enchê-la de gente."

Nos centros coleta de sangue, as filas eram grandes desde o começo da manhã -- algumas se estendiam por quarteirões.

No University Medical Center, voluntários distribuíam comida e água para as dezenas de pessoas que esperavam a vez de doar sangue. A certa altura, os doadores formaram um círculo e rezaram pelas vítimas e suas famílias.

Matt Ferner/HuffPost
Doadores de sangue fizeram um círculo e rezaram pelas vítimas da tragédia.

Funcionários do hospital afirmaram que mais de 300 pessoas tinham se inscrito na lista para doar sangue na segunda-feira, atingindo o limite do hospital.

Membros de um grupo de motociclistas recolheram água, refrigerantes e gelo para levar para os participantes da vigília à luz de velas.

Na parte norte da icônica Las Vegas Strip, logo depois do cassino Encore, foi realizado um ato ecumênico na Catedral do Anjo da Guarda. Os participantes cantaram, falaram de força e resiliência. O gongo soou 59 vezes, lembrando as vítimas do massacre.​​​​​​

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Tiroteio em Las Vegas