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Após tiroteio em massa, Casa Branca afirma que a discussão sobre armas é 'prematura'

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que as pessoas devem esperar "todos os fatos".

02/10/2017 18:06 -03 | Atualizado 02/10/2017 18:13 -03

Após o tiroteio mais letal da história moderna dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enviou condolências às vítimas, mas não fez nenhuma menção à violência generalizada das armas, nem em seus tweets, nem em sua declaração redigida pela Casa Branca.

(Minhas condolências mais sentidas e minha solidariedade às vítimas e famílias do terrível ataque a tiros em Las Vegas. Que Deus os abençoe!)

Pelo menos 50 pessoas morreram e centenas de outras ficaram feridas quanto Stephen Paddock, 64 anos, começou a disparar contra milhares de pessoas presentes ao Festival Route 91 Harvest, a partir do 32º andar de um hotel vizinho. A polícia informou que quando invadiu o quarto de Paddock no hotel Mandalay Bay, onde ele tinha pelo menos dez armas, encontrou o atirador morto, supostamente por suicídio.

Mais tarde, na manhã desta segunda-feira (2), lendo declarações redigidas de antemão pela Casa Branca, Donald Trump descreveu o massacre como "um ato de pura maldade" e elogiou as autoridades locais, a polícia e os serviços médicos de emergência.

Ele disse que fará orações às vítimas e suas famílias e anunciou que pretende visitar Las Vegas na próxima quarta-feira (4).

"Melania e eu estamos orando por cada americano que ficou ferido ou que perdeu as pessoas que amava tão profundamente neste ataque terrível, terrível", ele disse. "Rezamos para que a nação inteira possa encontrar união e paz, e rezamos pela chegada do dia em que o mal for expulso e os inocentes estiverem protegidos contra o ódio e o medo."

Kevin Lamarque / Reuters
Trump faz um discurso sobre o ataque em Las Vegas, falando diante de um retrato do presidente George Washington, no Salão Diplomático da Casa Branca, em Washington. 2 de outubro de 2017.

Uma coisa que não foi mencionada em seu discurso: a questão das armas de fogo.

Na coletiva de imprensa da Casa Branca de segunda-feira (2), ao ser questionada se Trump consideraria uma reforma de armamento, por causa do tiroteio, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, disse que não era apropriado discutir sobre o assunto.

"Há um tempo e um lugar para um debate político, mas agora é o momento de nos unirmos como país", disse Sanders, antes de enviar condolências às vítimas.

Ela também afirmou que era "prematuro discutir política quando não sabemos de todos os fatos."

No passado, Trump especulou sobre os motivos de atos violentos antes mesmo de serem confirmadas informações oficiais sobre os casos.

Ele descreveu a explosão em uma estação de metrô de Londres na semana passada como sendo obra de "um terrorista perdedor" e aproveitou o ataque para defender sua proibição à entrada no país de pessoas vindas de países de maioria muçulmana.

Em outros momentos o presidente guardou silêncio notável diante de atrocidades. Ele condenou "muitos lados" envolvidos no ato público supremacista branco em Charlottesville, Virginia, em agosto, que matou uma manifestante contrária aos supremacistas. Dois dias mais tarde, Trump denunciou o racismo. Nos dias seguintes, porém, ele voltou a atribuir a culpa pela violência igualmente aos supremacistas brancos e aos manifestantes contrários a eles.

Na coletiva de imprensa de segunda-feira (2), Sanders se esquivou repetidamente de perguntas sobre por que Trump fez pronunciamentos sobre violência das armas anteriormente, sem saber de todos os fatos - como em 2016, quando ele rapidamente respondeu ao tiroteio em massa da boate Pulse em Orlando, Florida, promovendo sua então proposta de proibição de entrada de imigrantes.

Sanders argumentou que a situação era diferente, porque Trump era apenas um candidato à presidência na época.

"Existe uma diferença entre ser um candidato e ser o presidente", ela respondeu.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

Tiroteio em Las Vegas