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3 autores para entender o papel das cidades na atualidade, segundo Fernando Haddad

Quase um ano distante do gabinete, o ex-prefeito de SP dispara: "A participação, em uma cidade como a capital, é inerente. Quer o governo queira ou não".

29/09/2017 00:25 -03 | Atualizado 29/09/2017 13:30 -03
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3 livros para entender o papel das cidades na atualidade, segundo Fernando Haddad.

Após passar pelo gabinete da mais influente cidade da América Latina, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) não hesita em afirmar que as cidades estão em criação permanente.

Para ele, a cidade é, de forma mais abstrata, um processo contínuo de produção de contradições; de pactuações e repactuações.

Em palestra no centro da capital, na Casa do Saber, o ex-prefeito afirmou ser necessário entender a natureza das cidades, sua formação e evolução, para imaginar uma gestão pública mais compatível com cada uma delas.

Da experiência na prefeitura, ele lembra o quão delicado é encontrar um equilíbrio para São Paulo em termos de políticas públicas.

Em seu caso, a baixa popularidade de algumas medidas como a crise Uber e dos taxistas, além da criação de faixas de ciclovia e a redução da velocidade para os carros, foi refletida na urna. Como resultado, o ex-prefeito lidou com uma das mais altas taxas de rejeição no final do seu mandato, além de perder a reeleição.

"É fantasia imaginar que você um dia vai encontrar um consenso. Basta analisar as gestões da cidade. O poder em São Paulo sempre foi pendular porque as administrações se mostraram muito diferentes. Foram prefeitos que enxergaram a cidade de formas muito divergentes. E isso não quer dizer que cada projeto não tenha tido a sua legitimidade."

Quase um ano distante do gabinete, o político segue pensando sobre o papel das cidades na democracia. Ele defende o que ele chama de "retorno às comunidades".

"Em uma cidade como São Paulo, com a multiplicidade de demandas que se renovam a cada dia, é preciso reforçar a importância dos conselhos intermediários. Eu sugeri, inclusive, a eleição dos subprefeitos. Mas essa é só uma das ferramentas, assim como os conselhos setoriais. O que eu entendo é que precisamos usar todos os instrumentos disponíveis para tornar o poder mais permeável à população. A participação, em uma cidade como a capital, é inerente. Quer o governo queira ou não."

Para pensar melhor o papel das cidades no mundo atual, o ex-prefeito indicou três autores e seus principais livros que misturam urbanismo, economia, política e cultura:

O Triunfo da Cidade, Edward Glaeser

O professor da Universidade Harvard é considerado um dos maiores especialistas em economia urbana da atualidade. Nesta obra, ele apresenta um panorama desde a formação das cidades antigas até as contemporâneas. Ainda, reflete sobre um paradoxo: por mais que as novas tecnologias tenham ampliado e permitido conexões à longas distâncias, o movimento da globalização não é capaz de substituir o contato pessoal, muito menos nos conduz ao isolamento. Para Glaeser, as ferramentas têm um efeito potencial e colaboram para que as cidades de hoje se tornem mais vitais do que nunca.

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Morte e Vida de Grandes Cidades, Jane Jacobs

Morte e Vida de Grandes Cidades foi publicado em 1961. Desde então, Jane Jacobs se consolidou como a teórica mais citada e influente em estudos urbanos. Basta pensar em conceitos como "cidade para pessoas", "bairros caminháveis", "cidades compactas" e "vitalidade urbana". Nesta obra, ela defende a diversidade dos usos da cidade e tem como principal preocupação a perda das relações entre os moradores como um dos sintomas da "morte" das malhas urbanas.

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Cidades Rebeldes, David Harvey

Do que se trata o direito a cidade? A análise de David Harvey parte da compreensão da ocupação do espaço público para refletir a respeito de quem controla o acesso aos recursos urbanos ou de quem determina a organização e o tipo de vida cotidiana em casa cidade.

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