ENTRETENIMENTO

'Exodus' aposta na empatia ao narrar a trajetória de 6 refugiados pelo mundo

'A gente focou nos relatos pessoais dos refugiados para que o público descubra de que forma cada um está disposto a lidar com essa situação.'

28/09/2017 14:50 -03 | Atualizado 29/09/2017 16:11 -03
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O documentário 'Exodus' conta a história de 6 refugiados.

Em 2008, o diretor Hank Levine viajou até o Senegal. Lá, ele conheceu famílias que estavam atravessando a costa do Atlântico rumo às ilhas espanholas em barcos pouco seguros. Os senegaleses viviam da pesca de subsistência, mas com a chegada de grandes navios pesqueiros, eles viram sua atividade ser completamente esvaziada. Sem outras oportunidades, convivendo com a insegurança, os africanos utilizaram o barco de pesca para sair do país.

Que vida é essa que se vive em que a opção de enfrentar o desconhecido é mais segura do que ficar? Talvez, esta seja uma das perguntas que o documentário Exodus: De onde eu vim não existe mais busca responder ao acompanhar a história de seis refugiados.

"Era uma travessia de alto risco. E foi nesse período, entre 2008 e 2009, que Levine percebeu que ali poderia estar começando um movimento global de deslocamentos bastante acentuado", explica Fernando Sapelli, produtor do documentário, em entrevista ao HuffPost Brasil. "Porque a questão dos refugiados sempre existiu", conclui.

O documentário, que estreia nesta quinta-feira (28), retrata a experiência de seis refugiados de diferentes partes do mundo que foram forçados a deixar seus lares e a reconstruir suas vidas sob circunstâncias desafiadoras.

Entre eles, Napuli, uma ativista política, que deixou o Sudão do Sul e hoje mora na Alemanha, e Tarcha, que nasceu no Saara Ocidental e teve que fugir para a Algeria, em 1975, e vive desde então em campos de refugiados.

Já Dana, nascina na Síria, chegou ao Brasil, mas o seu grande sonho é poder se reunir com a sua família no Canadá. Nizar, um Sírio-Palestino, espera receber refúgio e levar sua família para a Europa. Bruno, de Togo, viveu por 9 anos em campos na Alemanha, até ser finalmente legalizado. Lahtow e Mahka, do Mianmar, perderam suas casas devido aos conflitos militares.

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Com direção de Levine, Exodus começou a ser pensado em 2011. Nomes como Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Belinck e Fernando Sapelli reuniram-se ao time. Ainda, a voz de Wagner Moura completa o backstage ao narrar as histórias.

Os primeiros quatro anos da produção foram totalmente dedicados à pesquisa dos conflitos de cada uma das regiões relacionadas às histórias dos personagens. Para Sapelli, o tempo foi essencial para que se encontrassem histórias profundas.

"Nós criamos uma cultura de produzir e consumir tudo muito rápido. É muito importante você criar esse espaço de confiança porque as pessoas tem histórias e tem seus traumas. Elas precisam se sentir a vontade de compartilhar. E isso requer que você esteja presente", compartilha o produtor.

O cineasta acredita que é impossível passar por uma experiência de contato tão próximo com a vida dessas famílias e não sair transformado. O grande desafio da produção foi encontrar histórias que refletissem a complexidade do que cada um estava vivendo.

"O que a gente pretende com o filme é passar a tão falada empatia. Não é um documentário político. Alguns países lidam de maneiras melhores, outros piores, com os refugiados", continua Sapelli. "A gente focou nos relatos pessoais, nessas experiências, para que o público tire suas próprias conclusões e descubra de que forma cada um está disposto a lidar com essa situação", conclui.

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Ao Huffpost, Andrea Barata Ribeiro, que também participou da produção do documentário, explica que ele foi pensado para dialogar com todos os públicos, e não apenas com quem já é acostumado a consumir documentários ou está familiarizado com a questão dos refugiados.

"A questão das imigrações e migrações não é uma opção das pessoas. É uma catástrofe do nosso tempo. As pessoas são massacradas. O filme mostra que o refugiado não é um cara que está ali por opção própria. Ele perde tudo o que ele tem. As pessoas não tem mais lugar no mundo. E levanta essas questões: Afinal, de quem é o mundo? Quem pode ter esses direitos subtraídos? E isso é um problema de todos nós", argumenta a produtora.

Exodus chega aos cinemas nesta quinta-feira (28). Tem duração de 1h30 minutos e classificação indicativa 16 anos. A distribuição é da O2 filmes em parceria com a GloboFilmes e GloboNews.

Assista ao trailer:

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