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6 em cada 10 professores da rede estadual de SP classificam suas escolas como violentas

Ainda, 51% destes educadores afirmaram que já sofreram algum tipo de violência dentro da sala de aula.

27/09/2017 16:01 -03 | Atualizado 27/09/2017 18:21 -03
Mario Tama via Getty Images
Entre os alunos, o índice é ainda mais alto: 72% deles acreditam que a escola em que estuda é violenta.

Mais da metade dos professores de escolas estudais do estado de São Paulo já sofreram pessoalmente algum tipo de violência dentro da sala de aula. Foi o que revelou o estudo Violência nas escolas estaduais de São Paulo, divulgado na tarde desta quarta-feira (27) pelo instituto de pesquisa Locomotiva, em parceria com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp). Entre os alunos que já sofreram algum tipo de violência, a taxa foi de 39%.

O estudo também mostra que houve um aumento na percepção do grau de violência. Na mesma pesquisa realizada em 2013, 57% dos professores classificaram suas escolas como violentas. Neste ano, este percentual passou para 61%. Entre as escolas públicas de São Paulo no geral, quase 80% dos educadores classificaram como violentas.

Entre os alunos, o índice é ainda mais alto: 72% deles acreditam que a escola em que estuda é violenta.

Além disso, 84% dos professores afirmam que a violência nas escolas estaduais de São Paulo aumentou nos últimos anos. Já 73% dos estudantes e 79% dos pais compartilham da mesma percepção.

Isso faz com que a sensação de segurança diminua. Quase 50% dos alunos não se sentem seguros dentro da escola. Entre os professores, este percentual é de 37%.

Já as principais causas da violência de acordo com a população, pais, estudantes e professores se diferente. Para pais e alunos ouvidos, a o conflito entre os estudantes é a principal causa da violência escolar. Os professores, porém, apontam para outro problema: a educação em casa. A população geral citou drogas e álcool como os principais motivos para a violência dentro da sala de aula.

O estudo aponta ainda que cerca de 1,6 milhão de estudantes e 173 mil educadores da rede estadual do estado paulista já souberam de casos de violência em suas escolas no último ano. E os casos de violência aumentam em escolas na periferia. Cerca de 87% dos professores de escolas na periferia souberam de casos dentro da instituição, contra 80% dos professores de escolas no centro.

Vítimas da violência escolar

Os professores e estudantes ouvidos pela pesquisa da Locomotiva confirmaram informações alarmantes sobre violência dentro da sala de aula. Cerca de 39% dos estudantes, ou 802 mil, e 51% dos professores, 104 mil, já sofreram algum tipo de violência. Os números aumentaram em relação ao estudo anterior, quando 28% dos estudantes e 44% dos professores relataram ter sofrido violência.

Entre os tipos de violência, 44% dos professores relataram agressão verbal, seguido por discriminação (9%) e por bullying (8%). Cerca de 5% dos professores já foram agredidos fisicamente nas escolas.

Já entre os alunos, 27% também disseram ter sofrido agressão verbal, seguidos por bullying (13%) e agressão física (9%).

Entre as medidas que ajudariam na diminuição da violência nas escolas, os alunos, pais e professores se divergem. Os pais e a população em geral acreditam que o investimento em cultura e lazer ajudaria a resolver o problema. Entre os estudantes, o aumento do policiamento ao redor da escola diminuiria a violência e, entre os professores, é preciso debater o tema em sala de aula.