MULHERES

A atualização do iOS 11 da Apple é “um passo adiante” para as mulheres, mas ONGs avisam sobre potenciais problemas

A atualização permite que o usuário do telefone ligue para a polícia sem olhar para o aparelho.

26/09/2017 18:07 -03 | Atualizado 26/09/2017 18:46 -03

Algumas ONGs que trabalham por causas ligadas às mulheres saudaram a nova atualização do iPhone como um avanço positivo no combate à violência contra as mulheres, mas avisaram que, se for utilizado em determinadas circunstâncias, o serviço pode colocar mulheres vulneráveis em situação de perigo maior.

A atualização do iOS 11 inclui uma nova função "SOS Emergência", criada para ajudar o usuário a ligar para os serviços de emergência discretamente, sem precisar digitar 999.

Se o usuário pressionar cinco vezes o botão dormir/acordar do telefone, aparece um botão de deslizar que liga para o serviço de socorro quando é usado. Também é possível mudar as configurações para eliminar esse passo e "ligar automaticamente" para os serviços de emergência assim que o botão é pressionado cinco vezes.

No Twitter, muitas pessoas vêm sugerindo que a atualização pode ser especialmente útil às mulheres. Um tuite sobre o tópico viralizou.

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A atualização do iPhone também permite que o usuário crie "contatos de emergência" no telefone – por exemplo, membros da família – que serão avisados de sua localização assim que ele fizer uso desse serviço.

Se o seu telefone tem a "autochamada" habilitada, ele fará uma contagem regressiva de três segundos antes de ligar para o 999. Desse modo, você pode cancelar a ligação se ela tiver sido feita por engano.

Sarah Green, co-diretora da Coalização para Acabar com a Violência Contra Mulheres, disse ao HuffPost Reino Unido que a ferramenta "tem o potencial de ser uma grande ajuda para mulheres em situações de risco. Esperamos ouvir que ela tenha feito uma diferença."

E acrescentou: "É bom saber que as empresas de tecnologia estão procurando soluções tecnológicas para combater a violência contra as mulheres."

"Esperamos que estejam trabalhando, por exemplo, para desabilitar e impedir o uso de aplicativos de espionagem e rastreamento invisível por parte de homens violentos."

HuffPost UK

Enquanto isso, Caitlin Roper, do grupo de direitos das mulheres Collective Shout, disse que embora a função "possa ser uma ferramenta útil, especialmente para mulheres em risco de sofrer violência por parte de homens", deve ser utilizada com prudência.

"Ela não deixa de encerrar um risco. Se uma mulher for flagrada tentando usar esse serviço enquanto sofre um ataque de violência doméstica, ela pode correr risco ainda maior", Roper disse ao HuffPost Reino Unido.

"Qualquer novidade tecnológica que facilite para a mulher entrar em contato com serviços de ajuda e ajude a mantê-la em segurança é um avanço positivo. Mas, se bem que um app ou uma função de celular possa proteger mulheres de violência imediata sob certas circunstâncias, precisamos de uma abordagem mais holística para combater a violência masculina."

Roper observou que a função do iPhone pode ajudar as mulheres que correm risco de violência a chamar a polícia mais discretamente, mas que devíamos estar buscando acabar por completo com a ameaça de violência contra mulheres.

"Para vermos uma mudança significativa, precisamos contestar as raízes da violência de homens contra mulheres, como as atitudes de machismo e hostilidade às mulheres, de desrespeito pelo corpo delas e de objetificação normalizada das mulheres."

"Não basta apenas ajudar as mulheres a chamar a polícia quando seus companheiros as estão agredindo –precisamos que os homens parem de agredi-las em primeiro lugar."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost UK e traduzido do inglês.

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