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Por que os britânicos não estão contentes com o terceiro filho de William e Kate

Virou uma questão política.

19/09/2017 07:09 -03 | Atualizado 20/09/2017 14:24 -03
Suzanne Plunkett / Reuters
O príncipe William e sua mulher, Catherine, a duquesa de Cambridge, aparecem com a filha recém-nascida no St. Mary’s Hospital, em Londres, 2 de maio de 2015.

Quando foram divulgadas as notícias na semana passada que o príncipe William e a duquesa Catherine estavam esperando o terceiro filho, os fãs da família real britânica celebraram no mundo inteiro.

Mas em várias partes do Reino Unido, o clima não estava nada festivo, pelo contrário.

O motivo é uma nova regra, implementada em 6 de abril deste ano no país, que restringe certos créditos fiscais aos dois primeiros filhos de cada família.

Segundo cálculos do Child Poverty Action Group e o Institute for Public Policy Research, as famílias perderão 2 780 libras esterlinas por ano (cerca de 11 750 reais) para cada criança que for afetada por essa política.

E a família real, mantida pelo dinheiro do contribuinte britânico e por recursos privados, ainda receberá dinheiro pelo terceiro filho.

Os britâncos, compreensivelmente, ficaram irritados.

(Percebo que um terceiro filho pago pelo Estado de repente é motivo de celebração...)

("Sinto muito, senhora Windsor, mas a política de duas crianças ainda está em vigos para seu neto, sem exceções!")

Eles dirigiram a ira à primeira-ministra Theresa May, que implementou as regras.

(Parabéns ao duque e à duquesa de Cambridge pela notícia de que esperam o terceiro filho.)

(Mas, graças a suas políticas, eles não poderão receber apoio financeiro para o terceiro filho. Como vão sobreviver?)

As regras, propostas originalmente em 2015, foram apresentadas para cortar os benefícios sociais no país.

Grande parte da controvérsia é a chamada "cláusula do estupro", que afirma que haverá exceções caso uma criança "seja concebida como resultado de uma sexual não-consentida ou quando você fosse parte de um relacionamento coercitivo". A exceção exige comprovação do crime. A própria ONU pediu explicações sobre a nova regra.

O próprio fundamento da regra – apresentada pelo então secretário do Tesouro, George Osborne, que afirmou que "o governo acredita que aqueles que recebem créditos tributários deveriam ter de enfrentar as mesmas escolhas financeiras que aqueles que se sustentam somente com o trabalho" -- cria situações difíceis para os pais.

POOL New / Reuters
O ex-secretário do Tesouro George Osborne a caminho do parlamento para apresentar a Declaração de Outono, em 25 de novembro de 2015.

No jornal The Independent, a colunista Victoria Smith observou a injustiça que é comemorar o terceiro filho do casal real e ao mesmo tempo dizer que as outras pessoas não podem dar-se ao luxo do mesmo.

"Não tenho má vontade para com a felicidade da duquesa de Cambridge (uma vez que ela tenha superado os horrores da hiperemese gravídica)", escreve ela. "Mas ressinto aqueles que preferem ver as grávidas enfrentarem situações humilhantes a reconhecer o valor de todos os terceiros filhos. Toda criança merece receber as boas-vindas. Toda família tem direito à sua felicidade."

O novo Cambridge pode ser um lembrete de tudo o que os novos bebês deixarão de desfrutar.

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost CA e traduzido do inglês.

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