LGBT

O protesto dos famosos contra decisão da Justiça que trata homossexualidade como doença

Daniela Mercuty, Fernanda Gentil e Pabllo Vittar são algumas das celebridades que se posicionaram via redes sociais.

19/09/2017 10:47 -03 | Atualizado 19/09/2017 11:22 -03

Celebridades como Paulo Gustavo, Preta Gil e Fernanda Gentil usaram as redes sociais na noite desta segunda-feira (18) para protestar contra a decisão da Justiça do Distrito Federal que permite que psicólogos tratem gays, lésbicas e bissexuais como doentes - podendo oferecer terapias de "reversão sexual".

"Eu tô catando tudo quanto é remédio para poder tentar melhorar da homossexualidade, mas não estou conseguindo, não", disse o ator Paulo Gustavo em vídeo no Instagram.

A apresentadora Fernanda Gentil também reclamou da liminar com humor.

Ela postou uma foto em seu Instagram em que aparece cercada de comprimidos e um termômetro. Na legenda, escreveu: "Tentando me curar dessa doença, mas tá difícil."

Preta Gil criticou a decisão da Justiça em seu perfil no Instagram: "Como é que cura um ser humano de amar o outro? E aí, tem esse remédio?", questionou.

A drag Pabllo Vittar dispensou o humor na abordagem da questão em seu perfil no Twitter: "Não somos doentes", sentenciou.

Daniela Mercury publicou em seu perfil no Instagram um vídeo que reúne vários casais de pessoas do mesmo sexo compartilhando momentos felizes.

Na legenda do post, ela deixou a seguinte mensagem:

"Uma sociedade saudável deve promover a paz, a união, a fraternidade, o respeito, a democracia, a liberdade, o amor e o respeito as diferenças. E não permitir a opressão, a violência, a discriminação, o preconceito, a separação, a discórdia. Somos livres e iguais."

Marília Mendonça protestou por meio de uma charge.

Na legenda, a cantora publicou o seguinte texto:

"O que esperar de um Brasil que trata as maiores atrocidades como se fosse normal, e que trata o amor das pessoas como se fosse doença? Eu jamais vou entender, pessoas que querem decidir sobre a vida das outras, seja em qualquer aspecto. Passo por isso diariamente, com coisas banais e já sofro, imaginem quando isso acontece com quem só quer AMAR! Não existe mensagem que diga mais do que: CUIDEM CADA UM DA SUA VIDA! DEIXEM AS PESSOAS EM PAZ, PARA SEREM EXATAMENTE COMO QUEREM SER! Respeito."

Anitta postou em seu Instagram um vídeo em que se diz "devastada" com a decisão.

Na legenda da gravação, a cantora escreveu:

"O Brasil se devastando e as autoridades preocupadas com quem queremos nos relacionar. Isso precisa acabar. Deus, cure a doença da cabeça do ser humano que não enxerga os verdadeiros problemas de uma nação. Pais, não obriguem seus filhos a procurarem cura pra uma doença que não existe, baseados neste fato político. Essa busca interminável sim pode deixa-los realmente doentes."

Ivete Sangalo também publicou uma mensagem refletindo sua indignação com a decisão.

"É Brasilzão, a gente tentando ser forte, ser otimista, com inúmeras pendências que caberiam a uma administração decente resolver, e aí me resolvem dizer que homosexualidade é doença. Doentes são aqueles que acreditam nesse grande absurdo. Pessoas, pensem sobre o que é esse equívoco , absorvam a coragem e a luta dos homossexuais e apliquem às suas mofadas e inertes vidas. Tentem que vcs talvez possam ser felizes também."

Usando a mesma imagem compartilhada pela cantora, o ator Bruno Gagliasso publicou a seguinte mensagem em sua conta no Instagram:

"Indo dormir com essa imbecilidade q acabei de ler. Sr. juiz, AMOR não é doença e quem precisa de tratamento é o Sr. O próprio conselho de psicologia repudiou essa medida."

A decisão

Na última sexta-feira (15), uma decisão da Justiça do Distrito Federal coloca em risco o princípio básico defendido pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) por meio da Resolução CFP n° 01/99: A homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.

De acordo com o conselho, a Seção Judiciária do DF acatou parcialmente o pedido liminar de uma ação popular que dá margem para o uso de terapias de "reversão sexual".

Este grupo, possivelmente, entende que há uma "cura gay" a ser "oferecida" à população LGBT.

A ação foi pautada por um grupo de psicólogos que defendem tal prática. O CFP, contudo, deixou claro que repudia este tipo de terapia e que ela representa "uma violação dos direitos humanos e não tem qualquer embasamento científico".

10 gays assumidos que já ganharam Osc