LGBT

Este ensaio fotográfico revoluciona as noções sociais de sexualidade feminina

A instalação será inaugurada na 'Marcha das Vadias' de Amber Rose, em Los Angeles.

19/09/2017 16:14 -03 | Atualizado 19/09/2017 16:14 -03
Maggie West

Maggie West está farta de ver mulheres forçadas a adotar a condição de santas.

Seu novo projeto, a instalação artística "98", tira os conceitos de santidade e pureza da feminilidade e deixa a sexualidade feminina surgir com seu brilho próprio. A instalação foi inspirada em trabalhos de vitral e foi financiada pela Fundação Amber Rose e a empresa de brinquedos sexuais de alto padrão Lelo. Ela será inaugurada no dia 1º de outubro, o mesmo dia da terceira Marcha anual das Vadias de Amber Rose, no centro de Los Angeles.

"Ao longo da história, as mulheres retratadas em vitrais geralmente foram santas", disse Maggie West. "A maioria dessas santas era virgem. Muitas optaram por morrer de morte violenta e cruel, para não perderem sua 'pureza'."

Com "98", ela virou essa narrativa do avesso.

"Em vez de celebrar as mulheres por sua pureza, esta obra homenageia a liberdade de expressão sexual das mulheres e sua liberdade para protestar contra a violência sexual." West intitulou a instalação "98" como referência à estatística do Departamento de Justiça dos Estados Unidos segundo a qual a cada 98 segundos uma americana é sexualmente agredida.

Para o projeto, West fez fotos íntimas de mulheres e femmes em seu estilo próprio de retrato néon. Os retratos são uma celebração absoluta daquilo pelo qual tantas mulheres e femmes são criticadas e aviltadas: seu corpo, sua sexualidade e seus desejos sexuais.

As modelos de Maggie West são incrivelmente diversas sob vários aspectos, desde expressão de gênero até etnia e profissão, mas existe um elemento em comum entre todas.

"Todas as mulheres (incluindo lésbicas, transexuais, trabalhadoras sexuais, etc.) sofreram o tipo de assédio, violência e discriminação contra o qual a Marcha das Vadias quer protestar", disse West.

Veja abaixo alguns dos retratos surpreendentes e leia o que levou algumas das modelos a participar do projeto de Maggie West.

Aviso: este artigo contém fotos de nus. Se isso o incomoda, pare de ler agora.

Maggie West
Abella Danger

MAGGIE WEST

"Sou uma mulher transexual de cor, tenho orgulho de meu corpo e acho que ele não deve ser policiado sem meu consentimento", disse Isis King, modelo transexual. "A atenção é mal direcionada, e uma vítima nunca deve ser humilhada pelo modo como se expressa através das roupas."

Maggie West
Tanya Negin 

MAGGIE WEST

Luka Fisher disse a West: "Quando eu era criança e adolescente, como pessoa 'genderqueer', que questionava sua orientação, eu frequentemente era sujeita a assédio sexual e ameaças de violência por não desempenhar a masculinidade e a heteronormatividade a contento, a tal ponto que ainda hoje sinto medo de sair de casa."

Maggie West
Caroline Miner 

MAGGIE WEST

Jazzmyne Robbins disse: "Quero participar desta série para exemplificar que uma mulher pode ser poderosa e confiante em sua sexualidade sem estar 'pedindo por isso'. Estou fazendo isso unicamente por mim mesma e minha jornada."

Maggie West
Megan Lytle 

MAGGIE WEST

"Vivemos numa era em que a misoginia é o padrão, e a Marcha das Vadias é uma oportunidade para as Mulheres se unirem e expressarem livremente o poder divino de sua sexualidade", disse Alaska Thunderfuck, vencedora da Corrida de Drags RuPaul.

Maggie West
Ana Foxxx

MAGGIE WEST

Whitney Bell, escritora e ativista, disse a West que "uma mulher sem vergonha é uma força poderosa, mas uma multidão de mulheres que vão à rua para se livrar de sua vergonha – isso é algo imbatível."

*Este texto foi originalmente publicado no HuffPost US e traduzido do inglês.

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