POLÍTICA

Em discurso na ONU, Temer diz que 'novo Brasil' está aberto ao mundo

Tradicionalmente, o presidente do Brasil fez o discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (19).

19/09/2017 11:26 -03 | Atualizado 19/09/2017 19:40 -03
ONU
Temer iniciou seu discurso citando os principais desafios da ONU hoje, o que ele chamou de "momento de traços de incertezas e instabilidades".

Na abertura da 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas, que acontece nesta terça-feira (19), o presidente Michel Temer afirmou que o Brasil está superando a crise econômica e que o "novo País" está aberto ao mundo. O presidente abriu a assembleia em Nova York, seguindo a tradição de o Brasil ser o primeiro a ter a palavra desde 1947.

Temer iniciou seu discurso citando os principais desafios da ONU hoje, o que ele chamou de "momento de traços de incertezas e instabilidades", como as tensões entre a Coreia do Norte e os EUA e aliados, o terrorismo, refugiados e a persistência da pobreza e fome, e ressaltou a importância da diplomacia, do diálogo e negociação. "Certamente, necessitamos de mais ONU, de uma ONU que tenha cada vez mais eficácia e legitimidade", disse.

Ele continuou seu discurso dizendo que o Brasil recusa o nacionalismo "exacerbado", assim como o protecionismo nas dificuldades econômicas, fazendo uma crítica aos governos Dilma e Lula. "O Brasil atravessa um momento de transformações decisivas. Com reformas estruturais, estamos superando a crise econômica, resgatando equilíbrio fiscal, voltando a gerar empregos", afirmou. Em mais uma referência ao governo anterior, Temer acrescentou: "Sem responsabilidade fiscal, a responsabilidade sociais não passa de um discurso vazio."

Ele também aproveitou o discurso para anunciar que a política e o comércio exterior do País estão abertos ao mundo. "O novo Brasil que está surgindo das reformas está aberto ao mundo. Adotamos todos como parceiros. Trabalhamos por algo mais próximo e democrático."

Saindo do contexto econômico, Temer exaltou que, apesar de as recorrentes violações de direitos humanos e políticos em todo o mundo, o Brasil é um país de "liberdade arraigada", que se fez e se faz na diversidade étnica, cultural, de credo, de pensamento. "Rechaçamos o racismo, a homofobia", adicionou, informando que o País faz parte de todos os tratados ligados a direitos humanos e que a lei de imigração é a mais moderna do mundo.

Amazônia

Em seu discurso, o presidente do Brasil também exaltou a o compromisso do País com o meio ambiente, exemplificando o Acordo de Paris e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. "Meu País, e digo isso com satisfação, está na vanguarda do movimento de uma economia de baixo carbono", acrescentou.

Ele também citou a importância da Amazônia e anunciou dados otimistas sobre a preservação da maior floresta do mundo. Informou que houve uma redução de 20% no desmatamento da Amazônia.

"O Brasil orgulha-se de ter a maior cobertura de florestas tropicais do planeta. O desmatamento é questão que nos preocupa, especialmente na Amazônia. Nessa questão temos concentrado atenção e recursos. Pois trago a boa notícia de que os primeiros dados disponíveis para o último ano já indicam diminuição de mais de 20% do desmatamento naquela região. Retomamos o bom caminho e nesse caminho persistiremos", declarou, sem citar a discussão sobre o fim da reserva mineral Renca que, há alguns dias, foi assunto em todo o mundo.

Esta é a segunda vez que Temer discursa na abertura do evento. No ano passado, ele reiterou o compromisso "inegociável" do País com a democracia e abordou alguns conflitos internacionais.

Jantar com Trump

Michel Temer chegou em Nova York na última segunda-feira (18) e participou de um jantar em Nova York oferecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Junto a outros líderes latino-americanos, Trump falaram sobre a crise na Venezuela e cobrou "democracia" no país governado por Maduro.

"Queremos que seja restaurada a democracia e a liberdade na Venezuela, e queremos isso logo", disse a jornalistas que acompanhavam o evento. O mandatário ainda afirmou que o país sul-americano está "em colapso" e que seu país "está dando passos importantes para responsabilizar o regime de Nicolás Maduro".