MULHERES

O nome dela é Mara Castillo: O feminicídio que levantou uma onda de indignação no México

Após sair de uma festa, jovem de 19 anos foi estuprada e morta por motorista de transporte particular.

18/09/2017 15:36 -03 | Atualizado 18/09/2017 16:45 -03
Divulgação
A morte de Mara foi o motivo, e a última gota, para que milhares de mulheres tomassem às ruas no país cansadas da violência que sofrem.

Aos 19 anos, ela saiu para dançar com os amigos. Se divertiu em uma festa, colocou um vestido e tomou algumas bebidas. No final da noite, chamou um táxi para voltar para a casa. Avisou a irmã mais velha que já estava no caminho. Mas não chegou. Ela adormeceu no carro e em vez de entregá-la em segurança em seu destino final, o motorista decidiu que a levaria para um motel.

Mara Castillo foi estuprada e assassinada pelo condutor do serviço de transporte Cabify na madrugada da sexta-feira (8) em Puebla, no México.

O seu corpo só foi encontrado sete dias após o crime. Ele estava envolto em um lençol branco, gravado com as palavras 'Motel del Sur', em um ponto na rodovia México-Puebla. O delegado da cidade confirmou a morte da jovem por "estrangulamento e fortes golpes", além da agressão sexual.

No último domingo, (17) a morte de Mara foi o motivo, e a última gota, para que milhares de mulheres tomassem às ruas no país cansadas da violência que sofrem -- não só no transporte público.

Vestidas de preto e com gritos contra os altos índices de feminicídios, mulheres mexicanas foram convocados para participar das marchas #YoSoyMara e #JusticiaParaMara.

Nas redes sociais, a memória de Mara, e de tantas outras mulheres, também foi lembrada.

Para Tania Reneaum, diretora executiva da Anistia Internacional do México, o país está "enfrentando um contexto que despreza a vida das mulheres e um estado machista que tem uma dívida histórica pendente".

"Seis de cada dez mulheres são vítimas de violência no local de trabalho, na escola, na comunidade ou na família", argumenta a Anistia Internacional em um comunicado após a morte de Mara Castilla.

A organização exige que o Estado mexicano "reveja suas responsabilidades e seu dever de diligência em relação à vida, integridade e dignidade das mulheres ".

Para a Anistia Internacional, a violência contra as mulheres é naturalizada no país. No México, "a impunidade para essa violência, incluindo abuso sexual e feminicídio, é generalizada", concluiu a organização em seu posicionamento.

Em entrevista à mídia local, o governador de Pueblo Antonio Gali Fayad anunciou que vai investigar o quadro legal em que a empresa Cabify atua.

Após a morte da jovem, "eles perceberam" que a empresa não possui um sistema de controle ao adicionar novos motoristas

Ricardo Alexis, motorista do veículo, é acusado de assassinar a estudante. Ele havia entrado apenas há um mês no aplicativo de transporte e trabalhava com o sua própria carro - um veículo Chevrolet Sonic -, sem cumprir com qualquer outro requisito além de aceitar o repasse de 20% dos lucros das corridas para a Cabify.